A demora em conseguir a progressão na carreira tem levado professores da UFPR a se manifestarem junto a APUFPR-SSind. No final de fevereiro, o chefe do Departamento de Sociologia, professor Ricardo Costa de Oliveira, que já havia recebido inúmeras reclamações de professores a respeito da morosidade para alcançar a progressão funcional, entrou com uma solicitação no sindicato da categoria a fim de questionar esse problema, que é recorrente na Universidade.
“A progressão funcional é um direito do professor. Já que o docente não tem reajuste salarial, essa é a nossa única expectativa de melhoria na carreira. Mas o fato do processo demorar meses até ser verificado gera muita insatisfação e reclamações por parte dos professores, que procuraram o Departamento reivindicando soluções para essa demora da UFPR”, declara Oliveira.
O docente entregou a documentação necessária para progredir de professor Adjunto III para Adjunto IV há cinco meses, mas ainda não obteve nenhum retorno da Universidade. Segundo Oliveira, são vários os professores que enfrentam a mesma dificuldade no Departamento. “Acredito que outros departamentos também estejam com o mesmo problema. No departamento de Sociologia existem professores que entraram com o processo em setembro de 2010 e ainda não obtiveram resposta”, aponta.
Hoje, a carreira do docente do ensino superior possui quatro classes – auxiliar, assistente, adjunto, associado –, com quatro níveis cada uma e mais a classe de professor titular. A mudança de um nível para outro e de uma classe para outra representa aumentos salariais, além de crescimento na carreira. O que tem ocorrido na UFPR é uma lentidão na análise dos pedidos de progressão, o que gera certa frustração na categoria docente.
Os critérios para a realização da progressão de uma classe para outra são estabelecidos pelo Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão (Cepe) da UFPR e aplicados pela Comissão Permanente do Pessoal Docente (CPPD), e englobam, entre outras atividades, a titulação do docente, quantidade de horas/aula na graduação e na pós-graduação, orientações, atividades acadêmicas, como participações em bancas, produção intelectual, atividades de extensão e representações. Cada atividade realizada pelo docente possui uma pontuação que é acumulada até que professor alcance os pontos necessários para solicitar a progressão.
Costa argumenta que, além da morosidade dos processos, os docentes encontram muitos problemas no momento de preencher o formulário de requerimento da progressão. “O processo é complexo e desorienta o professor em relação a contagem dos pontos, a carga horária necessária para progredir. E, além disso, depois de solicitar a progressão, os docentes ficam meses sem receber nenhuma resposta”, afirma.
Cada critério estipulado pela resolução do Cepe possui pontuação diferenciada, o que muitas vezes atrapalha o docente no momento de fazer o cálculo ou não esclarece quantos pontos uma atividade deve receber.
Ação da APUFPR-SSind
Para o secretário geral da APUFPR-SSind Luis Allan Künzle, a progressão funcional é um tema central para o sindicato e faz parte da pauta local da entidade apresentada à Reitoria em outubro de 2009. A APUFPR-SSind defende que o processo de progressão funcional dos professores da Universidade seja automatizado. “Existem mecanismos que permitem que as universidades tenham um único banco de dados com todas as informações sobre a carreira do docente, facilitando, dessa forma, que o processo de progressão seja mais ágil e que o docente seja valorizado na instituição de trabalho”, garante.
Além disso, a APUFPR-SSind também defende que os critérios que determinam a pontuação de cada atividade docente sejam revistos após um debate aprofundado com a comunidade acadêmica. “Atividades que demandam tempo e esforço do professor possuem pontuações completamente diferenciadas. Orientações de projetos de extensão recebem uma pontuação mínima e isso precisa ser discutido e reavaliado. A Universidade precisa valorizar ensino, pesquisa e extensão para que tenhamos educação e formação de qualidade”, coloca Künzle.
Docente, se você tem enfrentado problemas em sua progressão funcional entre em contato com a diretoria da APUFPR-SSind pelo e-mail secretaria@apufpr.org.br ou pelo telefone 3078-2424.


