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NOTÍCIAS

 
01/12/2010

Representantes do Sintusp são agredidos pela guarda da USP

Na manhã do dia 24/11, representantes do Sindicato dos Trabalhadores da Universidade de São Paulo - USP, mesários e membros das duas chapas que participam do processo eleitoral para a diretoria do Sintusp foram violentamente agredidos, com socos, pontapés e empurrões, por agentes da guarda universitária. A violência aconteceu enquanto tentavam instalar uma das 80 urnas espalhadas pelos campi da instituição no prédio da Reitoria, hoje sob a gestão de João Grandino Rodas, empossado em janeiro deste ano. De acordo com o Diretor de Imprensa do Sintusp, Anibal Cavali, um funcionário do Sindicato foi ameaçado por integrante da guarda universitária. Os  trabalhadores agredidos disseram que vão registrar boletim de ocorrência na 51ª Delegacia de Polícia do Estado.

Segundo Cavali, como de práxis e com a devida antecedência, o Sindicato enviou oficio para cada unidade da USP, solicitando autorização para disponibilizar as urnas nos espaços institucionais. A Administração Superior da Universidade foi a única a não responder o documento do Sintusp e, quando interpelada, disse que não autorizaria a instalação das urnas no prédio em questão. Isso aconteceu na véspera do processo eleitoral, que transcorreu nos dias 24 e 25 de novembro. Imediatamente, a Direção do Sindicato questionou a decisão, cobrando providências à Reitoria, alertando-a que a negativa poderia inviabilizar a lisura do processo em curso, conforme a orientação de assessores jurídicos.

"Contamos com cerca de 200 sindicalizados na Reitoria. Estranhamos bastante que a Administração Superior não tenha sequer respondido nosso pedido de autorização para disponibilizar as urnas no prédio, mesmo para nos informar que ele havia sido indeferido. Quando contatamos o chefe de gabinete Carlos Alberto Amadil, ele disse que não havia proibido a instalação das urnas no prédio. Dissemos que iríamos esperar por ele para depositar as urnas na Reitoria. Como não houve qualquer solução para  nosso problema, tentamos colocá-las na portaria e fomos impedidos de entrar. Antes mesmo de chegarmos, a Reitoria já havia reforçado a guarda universitária", disse Cavali.

O diretor do Sintusp ainda informou ao ADUR Informa, por telefone, que, após a  confusão, a urna foi instalada em frente às catracas da portaria principal do prédio. "A eleição para composição da  nova diretoria do Sindicato dos Trabalhadores da USP ocorre a cada três anos, e nunca houve tamanha repressão por parte da reitoria da
Universidade, nem mesmo na época da Ditadura Militar. Muitos técnicos ficaram apreensivos em votar por causa da confusão. Além disso, sabemos que os funcionários lotados na Reitoria da USP são alvos constantes de assédio moral", afirmou.

Reitoria da USP minimiza a questão  
O ADUR Informa entrou em contato com a assessoria de imprensa da USP, por telefone, solicitando entrevista com o reitor da instituição para comentar o caso. Segundo a orientação recebida, as perguntas deveriam ser enviadas para o e-mail do setor de comunicação da Universidade - o que foi feito no último dia 25/11. Até o momento, não houve resposta da USP para as questões enviadas. Pelo telefone, uma assessora de imprensa se antecipou em minimizar a questão: "O Sintusp quis colocar as urnas e a mesa de votação em locais proibidos. Foi isso o que houve", disse.

Estudantes da USP ameaçados
A repressão na USP tem sido sistematicamente denunciada pelas publicações dos Sindicatos de classe e pelo Diretório Central dos Estudantes. Em novembro, houve manifestações no campus da Universidade contra a perseguição aos alunos da instituição.

A edição de setembro do Jornal do Sintusp informou que 23 discentes estão ameaçados de expulsão, respondendo a processo disciplinar interno, com base no decreto nº 52.906, de 1972 – firmado durante o governo Medici (1969-1972), considerado um dos ápices do período repressor na história do país.

A nota da publicação do Sintusp dizia sobre o assunto: "É evidente a postura arbitrária e coercitiva da administração da universidade, composta por herdeiros de Costa e Silva, que tenta cercear a atuação política de estudantes e trabalhadores, com o único fim de abrir caminho para as corporações financeiras e para os burocratas que tentam privatizar a universidade. A mobilização e resistência dos que lutam atrapalham estes planos, estes sim, criminosos, e é para isso que procuram meios de extirpar da USP toda resistência. Mas isto, senhores, nunca será possível!".

Sintusp questiona reitor 
De acordo com o Sintusp, com menos de um ano de mandato, o reitor da USP já teria cometido uma série de medidas antipáticas e arbitrárias, todas contrárias à comunidade acadêmica. Dentre elas, rompeu a isonomia salarial, concedendo 6% de reajuste apenas aos professores; abriu 24 inquéritos policiais e processos administrativos/judiciais contra diretores e militantes do Sintusp.

Estes inquéritos e processos atingem vários membros da Chapa 1 - eleita no pleito passado; 23 estudantes estão com processos administrativos disciplinares e podem ser expulsos da USP, acusados pela ocupação do bloco G - usurpado pela Administração da Coseas - e por conta da ocupação da reitoria, em 2007.

O Sintusp também afirma que o Reitor não cumpriu o compromisso assumido, por meio da Comissão de Negociação [composta por representantes da Reitoria e representantes dos Funcionários], de como seria implantada uma 1 referência [5% para todos], a partir de janeiro/2010.

Histórico de violência na USP
No segundo semestre de 2009, ainda sob a gestão da Profa. Suely Vilela, a USP recorreu à força policial, ferindo estudantes,  professores e funcionários que participavam de manifestação pacífica no campus do Butantã. A Reitoria pediu segurança ao governo estadual, na época sob o comando de José Serra (PSDB), que manteve a polícia na instituição durante mobilização que movimentou as três principais universidades públicas do Estado - USP, Unesp e Unicamp.

Fonte: ANDES-SN

 
 
 

 

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