O Conselho Eleitoral provisório do Haiti (CEP) ignorou as milhares de denúncias de fraude que, durante todo o domingo (28), marcaram as eleições que se realizaram no país, onde cinco milhões de cidadãos foram convocados a eleger um novo presidente e parte do Legislativo.
Em meio a uma epidemia incontrolável de cólera, foram realizados comícios polêmicos em que 12 dos 18 candidatos pediram a suspensão das eleições por supostas irregularidades que favoreceram o candidato do governo atual, Jude Celestin, genro do mandatário René Preval.
De acordo com o presidente do CEP, Gaillot Dorsainvil, "a jornada eleitoral foi encerrada" e os resultados serão conhecidos no próximo dia 10 de dezembro.
Os 12 aspirantes que se opuseram ao processo saíram às ruas para acompanhar as milhares que pessoas que exigiam respeito e se manifestavam contra o governo por supostamente interferir no pleito, mas os protestos acabaram em forte violência que, no final do dia, deixou um saldo de dois mortos e vários feridos.
Os favoritos, segundo as pesquisas, Mirlande Manigat e Michel Martelly, denunciaram em uma declaração conjunta "uma conspiração do governo e do CEP" para beneficiar o governista Celestin.
Em duas cidades do norte do país o pleito teve que ser suspenso em razão da violência e, em Porto Príncipe, um centro eleitoral foi saqueado.
Apesar disso, Dorsainvil assegurou que o processo se desenvolveu dentro da normalidade e que os incidentes não foram graves, além de prometer que as denúncias "serão estudadas" e que dentro de 48 a 72 horas "decidiremos o que fazer".
O CEP "estará em condição de produzir um balanço (sobre a votação) com o retorno de seus membros do interior (do país), dentro de três dias" e "agradece a população por ter participado do ascenso da democracia", disse.
Por sua parte, a Organização das Nações Unidas (ONU) manifestou preocupação com a violência gerada durante as eleições e exortou "a população e o conjunto dos atores políticos a manter a calma" para que os acontecimentos não aumentem a crise que a cólera causou ao país.
O organismo sustenta que uma eventual piora da segurança terá consequencias dramáticas imediatas sobre o número de vítimas da epidemia de cólera.
Até o momento, ao menos 1.648 pessoas morreram por causa da doença desde sua aparição em outubro, número que pode aumentar se não se tomarem medidas urgentes que evitem a propagação do contágio, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).
Cerca de cinco milhões de haitianos estavam aptos a votar no domingo para eleger o novo presidente, renovar 11 dos 30 assentos do Senado e os 99 cargos da Câmara de Deputados.
Fonte: Brasil de Fato


