No II Encontro do Fórum dos Dirigidos, ficaram bem claras as mudanças pretendidas por alunos, docentes, servidores e técnicos da UFPR. Combate às terceirizações, participação da comunidade universitária nas decisões e autonomia da universidade pública foram os principais pontos discutidos no Fórum, que ocorreu no último dia 6 no pátio da Reitoria. O evento foi uma ação conjunta entre professores, servidores e alunos da UFPR e contou com a participação do professor da Faculdade de Educação da UFRJ Roberto Leher.
Durante sua exposição, o professor trouxe à tona aspectos históricos sobre o tema da autonomia universitária. Segundo ele, o Brasil está atrasado em relação aos países latino-americanos nesse aspecto, embora a autonomia universitária esteja muito bem definida e elaborada na Constituição Federal. “Autonomia seria se autogovernar, criar as próprias leis, mas tudo vem externo à universidade, desde contratações às diretrizes curriculares”, critica.
Ainda, o palestrante recriminou a influência do modelo neoliberal nas universidades públicas. Para ele, a autonomia universitária pensada dentro desse modelo significa abri-la para que arrecade recursos através das parcerias público/privadas, chamadas de PPP. De acordo com Leher, incorporar a universidade pública à lógica neoliberal culmina na gradual privatização da instituição.
A presidente da Associação dos Professores da UFPR (APUFPR), Astrid Baecker Ávila, também defende um modo de autonomia que não faça a universidade deixar de ser financiada pelo Estado e, portanto, dependente das iniciativas privadas. “A universidade quer ter o poder de decidir como gastar seu recurso, como aplicar, como gerir, mas ela não quer ter a obrigação de buscar esse recurso no mercado, o que significa mercantilizar o ensino”, alega.
Terceirizações
A terceirização do trabalho nas universidades públicas foi outro dentre os temas abordados no Fórum. Jonas de Souza Ribeiro, funcionário Funpar que trabalha há 25 anos no Hospital de Clínicas (HC), criticou as más condições que trabalhadores da iniciativa privada têm em relação aos trabalhadores do Estado. “Não temos segurança no futuro profissional. Além disso, ganho cerca de um terço do que ganharia se fosse funcionário da UFPR”.
Para Leher, a terceirização do trabalho na universidade é prejudicial não só pela questão trabalhista, mas também por incentivar a ideia de que uma universidade pública deveria captar recursos próprios. Além disso, ele acredita que possuir trabalhadores concursados contribui para que a universidade cumpra sua função social. “Ter trabalhadores em todos os âmbitos que compreendam a função social da instituição é fundamental para que a universidade continue sendo um espaço que permita a produção e o acúmulo de conhecimento”, defende.
O servidor do Hospital de Clínicas Bernardo Pilloto, formado em medicina pela UFPR, defende a abertura de concursos públicos para todas as áreas do hospital, como segurança e limpeza. Ele enxerga a terceirização do trabalho como um dos responsáveis pela precarização do ensino. “A Universidade vem perdendo seu caráter de produzir conhecimento novo, porque sempre que se produz coisas novas a gente contesta valores antigos, e esse incentivo a gente não tem visto aqui dentro”.
Participação da comunidade acadêmica
Na ata final da reunião, algumas das resoluções aprovadas foram a defesa da abertura de novos concursos públicos, a proposta de um projeto de lei de iniciativa popular tratando da autonomia universitária e a realização de uma assembleia comunitária cujas decisões sejam referendadas no Conselho Universitário. A presidente da APUFRP postula que essa assembleia é a forma de a Universidade ser gerida com a participação universal da comunidade acadêmica. “A ideia da assembleia comunitária é que todos que vivam cotidianamente a UFPR se autorepresentem e tenham peso igual de votação”, afirma a professora.
Fonte: Jornal Comunicação