Home Cadastro
 
HOME
Publicações
Boletim Eletrônico
TV APUFPR
Rádio APUFPR
Galeria de Fotos
Fala Professor
Sala de Imprensa
Informes
Andamento de Processos
Ações da APUFPR-SSind
Convênios
Salão de Festas
Chácara
BOLETIM ELETRÔNICO
Cadastre-se para receber o boletim eletrônico da APUFPR
E-mail:
 

NOTÍCIAS

 
01/09/2010

Mídia tenta impedir pautas progressistas; e consegue

Renato Godoy de Toledo

da Redação

Ao entregar o seu programa de governo ao Tribunal Superior Eleitoral, o Partido dos Trabalhadores obedeceu às diretrizes de seus fóruns, sobretudo o seu último congresso, e incluiu no documento a taxação de grandes fortunas e o controle social dos meios de comunicação.

As medidas logo foram tachadas como radicais e como sendo oriundas de setores “incendiários” do governo – expressão cunhada pela revista Veja. O controle social da mídia mais uma vez foi confundindo com censura e atribuído a um ranço estalinista do governo e da candidata petista.

Em uma estratégia de não-confrontamento com a mídia, a direção da candidatura Dilma Rousseff retirou os pontos considerados polêmicos do programa. Outros pontos, como a descriminalização do aborto e a união civil homoafetiva, defendidas pelo partido em congresso, não constam em nenhuma das versões do programa.

A tentativa de amedrontar o eleitorado apontando o radicalismo de Dilma não surtiu efeito e a candidata disparou nas pesquisas. Agora, com chance de vencer no primeiro turno, os ataques devem se concentrar no passado da ex-ministra como guerrilheira durante a ditadura.

Radical?

Mas o fato é que a retirada de temas um pouco mais progressistas do programa petista tornou o debate entre os candidatos mais bem pontuados nas pesquisas monótono e quase consensual. Serra tenta passar a imagem de candidato da “continuidade com melhorias”, Marina diz que aproveitará o legado do PT e PSDB e Dilma basicamente propagandeia os feitos da gestão Lula.

As críticas ao processo eleitoral ficaram por conta de Plínio Arruda Sampaio (Psol) – que arrancou um bom espaço na mídia – e candidatos de esquerda como Ivan Pinheiro (PCB) e José Maria de Almeida (PSTU).

Para o cientista político José Antonio Moroni, do Instituto Nacional de Estudos Socieconômicos (Inesc), as medidas que saíram do programa de Dilma não podem sequer ser consideradas radicais. “Nenhuma das medidas retiradas afetavam a questão central do capitalismo que é a propriedade privada e o lucro e apenas colocavam uma certa 'civilidade' no capitalismo brasileiro. Chamar de radical a questão do controle social dos meios de comunicação é forçar a barra. Chamar de medida radical o imposto sobre grandes fortunas é hipocrisia”, explica.

Francisco Fonseca, cientista político da Fundação Getúlio Vargas (FGV), concorda que tais bandeiras não são radicais, mas são avançadas dentro da atual conjuntura brasileira. “No contexto conservador, essas medidas fogem do padrão. Nesse sentido, são radicais. Agora, me parece que ela retirou muito mais em razão das grandes alianças do que propriamente por uma opção dela ou de setores mais progressistas. Um eventual governo Dilma, assim como a gestão Lula, é um governo de coalizão e precisa de um programa mais morno e menos polêmico. Uma questão é o programa e outra é as alianças”, analisa.

Fonseca cita como exemplo o tema da redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais– da qual Dilma tem se esquivado, apesar de haver apoio dentro do governo. “A redução da jornada faz parte da história do capitalismo. Nesse sentido, o Brasil está muito atrasado por não aprovar as 40 horas. Na França, por exemplo, a hora extra é proibida e se trabalha cerca de 35 horas semanais. Isso seria uma medida normal, mas aqui é estigmatizada pelo reacionarismo e pela desigualdade da distribuição de poder que existe no país”, pontua.


Repulsa à polêmica

Para os especialistas, o fato de a campanha ter se tornado cada vez mais midiática tem determinado uma equalização das candidaturas com mais exposição na mídia. José Antonio Moroni aponta que o que menos se tem discutido nas últimas eleições é política. “Os processos eleitorais são teleguiados por estratégias midiáticas. Neste sentido o que menos se discute nestes processos é política. Tudo se resume a quem consegue dizer mais coisas, ocupando mais tempo na mídia, sem dizer nada. Neste sentido, são discursos que agradam ao senso comum, isto é, agradam grupos com interesses antagônicos. São discursos vazios de sentidos e significados. Dizer que a educação é prioridade é senso comum, ninguém discorda. Mas que educação?, com qual proposta pedagógica?, com quais objetivos?, a serviço de quem e do quê? e com quais recursos? Isso ninguém fala”, aponta.

Fonseca aponta a massificação como forma de produção de uma imagem quase consensual dos candidatos, ainda que haja diferenças entre eles. “Há um pastiche na vida política brasileira. Vivemos em uma sociedade midiática, os políticos falam para os miseráveis e para os milionários. Para se falar a setores amplos não se pode criar zonas de atrito”, define.

No entanto, Fonseca aponta que a aprovação da união civil de casais do mesmo sexo e a legalização do aborto, por exemplo, podem ocorrer em um governo, independentemente de constar ou não no programa. Ele cita o caso de dois países com tradições conservadoras, Espanha e Argentina, que aprovaram a união homoafetiva recentemente.

Tríade

De acordo com Moroni, os candidatos favoritos têm respeitado uma tríade que é exaltada pela mídia como um preceito fundamental: a responsabilidade fiscal, o controle da inflação e o câmbio flutuante. “Esta tríade virou o dogma, como se o mundo não pudesse sobreviver sem isso. Acontece que este receituário serve para manter as coisas como estão e não para mudá-las. Como nenhuma das candidaturas carimbadas como viáveis se propõe a mudar, todas se igualam tanto no discurso como nas práticas políticas e nas suas alianças”, acredita.

Fonte: Brasil de Fato

 
 
 

 

APUFPR-SSind - Associação dos Professores da Universidade Federal do Paraná - Seção Sindical do ANDES-SN
Rua Dr. Alcides Vieira Arcoverde, 1305 | Jd. das Américas | Curitiba-PR | CEP 81520-260
Fone: (41) 3078-2424 | E-mail: secretaria@apufpr.org.br

Produzido por Studio Art Comunicação Integrada
www.sacomunicacaosindical.com.br