O desconforto gerado pela inalação do formol em um dos blocos do Setor de Ciências Biológicas foi reduzido após uma iniciativa da APUFPR-SSind. Em abril deste ano, a entidade investigou para o Informativo De Olho na UFPR, que tratava da exposição ocupacional dos docentes à substância utilizada na conservação de peças anatômicas. A pressão exercida pela APUFPR-SSind em relação às condições de trabalho adversas enfrentadas pelos docentes do Setor de Ciências Biológicas - devido às propriedades tóxicas e ao potencial cancerígeno do formol - tinha como objetivo revelar os problemas enfrentados na UFPR e buscar medidas que minimizassem essa situação. |
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“A saúde do docente não se vende, mesmo que a Universidade garanta os adicionais de insalubridade aos servidores, não podemos admitir que essa exposição acentuada ocorra. A administração da instituição precisa estar atenta às condições que oferece aos professores e técnicos”, coloca a presidente da APUFPR-SSind, Astrid Avila.
De acordo com o professor do Departamento de Biologia Celular, Ciro Ribeiro, a iniciativa da APUFPR-SSind foi fundamental para que o processo de mudanças dentro do Setor fosse iniciado. “O sindicato teve um papel crucial com a publicação do jornal sobre a nossa situação, que se arrastava por mais de dez anos”, aponta.
A solução levantada pelo Departamento de Anatomia é a construção de uma câmara fria para melhor acondicionar os cadáveres humanos e animais, sem a utilização de substâncias nocivas à saúde. O projeto, que já foi apresentado à direção do Setor, está em fase licitatória e deve ser iniciado em janeiro, após a liberação do anexo utilizado pelo Departamento de Farmacologia.
“O processo licitatório deve encerrar-se no final de 2010 e o Departamento de Farmacologia estará alocado no novo prédio em janeiro de 2011. A partir de então, o anexo fica livre para o início das obras, que, na nossa estimativa, devem ser terminadas no final do primeiro semestre do ano que vem”, afirma o diretor do Setor de Ciências Biológicas, professor Luiz Cláudio Fernandes.
De acordo com a professora Djanira Venorez, todas as medidas cabíveis ao Departamento de Anatomia já foram tomadas, o formol que antes era usado em concentração a 10%, passou a ser utilizado a 5%, e o ácido fênico foi reduzido a uma concentração inferior a 1%. “Nós, do departamento, tomamos essas medidas para que o ambiente se tornasse mais saudável e menos insalubre”, explica a docente.
Conjunto de medidas
No dia 16 de julho, foi inaugurado um laboratório de anatomia que trabalhará com peças anatômicas sintéticas e também oferecerá possibilidades aos departamentos de utilizar recursos multimídias como auxílio durante as aulas práticas. As reformas realizadas nos tanques de armazenamento de cadáveres foram finalizadas na primeira semana de agosto e restam apenas pequenos ajustes.
Djanira Veronez conta que em reunião realizada entre a direção do Setor e a chefia do Departamento de Anatomia foi discutido um conjunto de medidas na tentativa de solucionar o problema ocasionado pelo formol. Segundo ela, a instalação de exautores eólicos - posicionados nas clarabóias do bloco dividido pelo Departamento de Anatomia e Biologia Celular - e a colocação de equipamentos de exaustão nas salas de aulas práticas de anatomia foram sugeridas pelos docentes, juntamente com a instalação da câmara fria.
Recentemente os exaustores eólicos foram instalados nas clarabóias. Segundo Fernandes, essa era uma demanda antiga do Departamento de Biologia Celular e, após a visita de um engenheiro de segurança do trabalho do Serviço de Segurança e Saúde Ocupacional da UFPR (Sesao), os equipamentos puderam ser colocados.
Ribeiro comenta que ainda não é possível fazer uma análise da presença do formol no ambiente após as instalações do sistema de exaustão, mas que, aparentemente, os exaustores têm cumprido o objetivo e reduzido a quantidade da substância no Setor.
Demais problemas
Luis Cláudio Fernandes afirma que não recebeu nenhuma solicitação do Departamento de Anatomia quanto a instalação de sistema de exaustão nos laboratórios de anatomia. “Além disso, os exaustores causam muito barulho, o que atrapalharia as aulas práticas”, comenta o diretor do Setor.
Em contraposição, Djanira Veronez conta que a instalação de um sistema de exaustão nos laboratórios faz parte do conjunto de medidas que visam diminuir os problemas gerados pelo uso do formol, discutidos com a direção do Setor. “Uma única medida não resolve a nossa situação. Mesmo com a câmara fria, os cadáveres continuarão sendo manipulados nos laboratórios e as substâncias que utilizamos para a preservação ficam fixadas nas peças anatômicas. Por isso, são necessárias medidas conjuntas, como já colocamos na reunião com a direção do Setor”, explica.
Quanto a questão do barulho gerado pelos equipamentos, a docente conta que existem modelos com ruídos mais brandos e isso seria facilmente resolvido, desde que a exigência fosse descriminada na licitação.



