No dia 24 de maio, os estudantes do curso de Geografia da UFPR realizaram um protesto contra a falta de iluminação no Centro Politécnico. Eles acenderam velas em frente ao prédio do Setor de Ciências da Terra e coletaram assinaturas para um abaixo-assinado que será entregue à administração da Universidade.
Para a presidente da APUFPR, Astrid Avila, o problema não afeta somente estudantes, mas toda a comunidade acadêmica. “A falta de iluminação é um problema que se estende há muito tempo e compromete a segurança de docentes, alunos e técnicos. É necessário que a administração da Universidade realize a manutenção contínua dos postes de iluminação”, afirma Astrid.
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De acordo com o professor Cláudio Tonegutti, do departamento de Química, a situação é pior nos locais onde a luz natural é bloqueada por árvores e pela vegetação, como as regiões ao redor da prefeitura universitária, próximas ao centro de convivência e ao novo restaurante universitário, e na entrada da biblioteca de Ciência e Tecnologia. “Esses locais ficam muito escuros quando uma lâmpada queima ou quando os vidros das luminárias estão muito sujos”, pontua.
Insegurança
O campus, localizado no Jardim das Américas, comporta os setores de ciências Exatas, Biológicas, da Terra e Tecnologia, que oferecem cerca de 10 cursos noturnos de graduação. Conforme o professor Wolf Dietrich Sahr, do departamento de Geografia, a iluminação dos estacionamentos e áreas abertas do campus, que é feita por dois tipos de luminária, não funciona corretamente. “Temos dois problemas. As luminárias com os globos não iluminam direito, são difusas e não jogam toda a luz para baixo. Já as luminárias com lâmpadas halógenas, que ficam nos postes mais altos, iluminam muito bem, mas são em pequena quantidade e metade delas não funciona”, critica.
O docente também relata que, devido à falta de iluminação adequada, é difícil caminhar dentro do campus durante a noite já que não é possível enxergar os obstáculos no caminho. O próprio professor Wolf Dietrich Sahr já se machucou por causa da falta de luz. “Eu estava saindo do prédio de Ciências da Terra, indo para a cantina e quatro postes de luz não funcionavam”, conta. O docente tropeçou em uma das divisórias do estacionamento, bateu a cabeça no chão e teve dois dentes quebrados. “Na época, eu escrevi uma carta para a prefeitura universitária e foram instaladas lâmpadas de íon nas entradas dos prédios, mas algumas não funcionam mais”, declara Sahr.
No período noturno, a comunidade acadêmica do campus também sofre com a insegurança provocada pelos bolsões de escuridão, que criam áreas suscetíveis a prática de assaltos e furtos dentro da instituição. Segundo a estudante Michelle Correa da Silva, representante do Centro Acadêmico de Geografia, os alunos encontram dificuldade para se locomover com segurança dentro do campus. “A situação está muito complicada, com vários postes de iluminação com defeito. Para caminhar dentro do Politécnico, ir até o Restaurante Universitário, nós temos que andar acompanhados”, explica a estudante.
Histórico do problema
O pró-reitor de Administração, professor Paulo Krüger, explica que a administração da Universidade tem conhecimento da situação e que tem procurado resolver com rapidez os problemas pontuais apresentados pelos chefes de departamento, mas que a resolução efetiva do problema depende da implementação de mais postes de alta eficiência.
“Nós estamos atentos ao problema e todos os novos projetos em construção receberão iluminação de alta eficiência. O campus do Jardim Botânico já recebeu novos postes de iluminação, mas esse é um projeto oneroso e que será implementado em longo prazo”, conta Krüger.
Para Tonegutti, entretanto, é preciso compreender que a falta de segurança no campus gerado pela pouca iluminação não é um problema recente. “O Centro Politécnico tem cursos noturnos há 20 anos, mas a iluminação do local sempre foi tratada com pouco caso”, argumenta.
O professor Eduardo Parente Ribeiro, chefe do departamento da Engenharia Elétrica, concorda que a iluminação é insuficiente no campus e explica que o departamento já solicitou por meio do Setor que o problema seja resolvido. “O Centro Politécnico nunca foi muito iluminado, mas tenho a impressão de que essa situação foi se deteriorando com o tempo. Agora, a iluminação durante a noite está insuficiente e precisa ser melhorada”, declara.
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