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NOTÍCIAS

 
20/05/2010
TVs universitárias devem priorizar o papel pedagógico e a democratização dos debates da comunidade acadêmica

Possibilidade de criação de um programa apresentado por vereador na TV UFPR levanta debate sobre a função social dos veículos de comunicação da UFPR

No dia 7 de maio, a administração da Universidade esteve reunida com os vereadores Mario Celso Cunha (PSB) e Omar Sabbag Filho (PSDB). Depois do encontro, realizado no gabinete do reitor, os dois vereadores noticiaram em seus sites a possibilidade de criação de programas a serem produzidos e veiculados na estrutura da TV UFPR.
A notícia levanta o debate sobre o direito a comunicação e sobre a função que uma TV universitária – transmitida de forma gratuita e definida como um serviço de interesse público pela legislação da radiodifusão a cabo – deveria cumprir na UFPR. Também dá mostras de que a política de comunicação do reitor Zaki Akel pode aprofundar ainda mais o processo de distanciamento das funções pedagógicas e do potencial de difusão de conhecimentos dos instrumentos de comunicação da Universidade.
Criada em 2001, a TV UFPR não possui um regimento interno que oficialize e regulamente o seu funcionamento dentro da Universidade. A falta de regulamentação possibilita que a programação da TV e o seu papel social sejam definidos de forma verticalizada pela administração da Universidade, sem que a comunidade universitária possa fazer o controle social do que é exibido, por quem e com quais objetivos e funções pedagógicas.
Segundo o diretor da TV UFPR, Carlos Rocha, a emissora ainda não possui um regimento interno e esse projeto de regulamentação foi substituído por uma proposta de reestruturação de toda a área de comunicação da Universidade. “A Assessoria de Comunicação Social da UFPR fez uma proposta de reestruturação da comunicação como um todo, isso engloba a TV, a rádio e o jornal impresso. Já está na hora de termos um projeto como esse, mas isso ainda deve passar pelos conselhos superiores e por outras instâncias da Universidade”, declara.
Entretanto, a coordenadora do curso de Comunicação Social, Kelly Prudêncio, conta que no início da gestão de Akel, no começo de 2009, um plano de comunicação havia sido formulado pelo departamento, mas, segundo ela, não houve avanços nesse sentido. “A ideia envolvia a criação de agentes de comunicação em cada setor e a TV UFPR veicularia programas produzidos pelos próprios cursos, entre vários outros pontos. Mas essa discussão continua alheia ao curso de Comunicação Social”.

Histórico
Durante esses nove anos de existência, a TV UFPR foi mantida como um veículo de propaganda institucional das ações da administração e atividades dos cursos da UFPR, com espaço menor, ou quase inexistente, para programas de divulgação científica e debates.
É preciso que essa estrutura seja utilizada como um instrumento pedagógico e como um veículo de difusão dos conhecimentos gerados na Universidade e dos temas políticos, culturais e sociais que afetam a comunidade acadêmica e a sociedade. Para isso, os estudantes devem contar com projetos de ensino, pesquisa e extensão que tratem da linguagem televisiva ou a utilizem como um potencializador para outras áreas do conhecimento.
Os professores, servidores técnicos-administrativos e os estudantes também devem participar na gestão da programação da TV UFPR, como forma de garantir que esse veículo cumpra com as suas funções sociais e não seja utilizado como instrumento de auto-promoção e propaganda política.
Existe ainda uma demanda muito grande das entidades representativas – APUFPR-SSind, SINDITEST E DCE-UFR – por espaços em que seja possível ampliar a discussão sobre a situação atual da Universidade, sobre as políticas educacionais que afetam a UFPR e sobre os problemas de infraestrutura e sucateamento enfrentados.
Para a diretoria da APUFPR-SSind, a regulamentação TV UFPR, e dos demais instrumentos de comunicação da Universidade, deve vir acompanhada da discussão sobre a formação de um conselho amplo e democrático para discutir a programação da TV e o seu papel social. A gestão desses veículos deve priorizar, em primeiro plano, o caráter pedagógico e servir como um espaço de experimentação, de aprendizado para os estudantes. Deve atender também as necessidades da própria comunidade acadêmica, com espaço para que os problemas e demandas enfrentados no cotidiano da Universidade sejam repercutidos nos veículos de comunicação.
Por isso, a diretoria APUFPR-SSind defende que as entidades de classe da UFPR estejam representadas na gestão dos veículos de comunicação, por meio de um conselho de programação, e que também tenha espaço para que os seus temas sejam veiculados e repercutidos na TV, rádio e nos materiais impressos da Universidade.

Explicação da TV UFPR
Quanto ao programa proposto pelos vereadores Celso Cunha e Omar Sabbag Filho, o diretor da TV UFPR informa que não existe nenhum projeto fechado, apesar da possibilidade de veicular um programa na emissora já ter sido divulgada pelos vereadores. “Até o momento eu não recebi nenhum projeto dos vereadores. Trata-se de uma grande especulação”, afirma.

Fonte: APUFPR-SSind
 
 

 

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