|
NOTÍCIAS
|
20/05/2010
APUFPR-SSind discute fundação de nova central e o processo de reorganização da classe trabalhadora
A APUFPR participará do Congresso Nacional da Classe Trabalhadora (Conclat), que acontece nos dias 5 e 6 de junho, em Santos. Na última assembleia, realizada no dia 11 de maio, foram eleitos três delegados – os professores Luis Allan Kunzle, Milena Martinez e Cláudio Tonegutti – que representarão a entidade no Congresso.
|
O Conclat tem a função de oficializar a fundação de uma nova central composta por setores do movimento sindical, como a Conlutas, a Intersindical e a Pastoral Operária, e por movimentos populares, como o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) e o Terra, Trabalho e Liberdade (MTL).
Para o tesoureiro geral da APUFPR- SSind, professor João Negrão, a iniciativa tem como objetivo impulsionar o processo de reorganização dos setores que romperam com a Central Única dos Trabalhadores (CUT) e estabelecer a unidade e o fortalecimento da classe trabalhadora. “Esse é um momento importante para que as lideranças sindicais façam uma avaliação e aprofundem esse debate sobre a fundação de um novo instrumento de organização”, destaca.
|
Para o tesoureiro geral da APUFPR- SSind, professor João Negrão, a iniciativa tem como objetivo impulsionar o processo de reorganização dos setores que romperam com a Central Única dos Trabalhadores (CUT) e estabelecer a unidade e o fortalecimento da classe trabalhadora. “Esse é um momento importante para que as lideranças sindicais façam uma avaliação e aprofundem esse debate sobre a fundação de um novo instrumento de organização”, destaca.
Negrão explica que o movimento docente tem debatido a necessidade de se restabelecer instrumentos de fortalecimento e unidade da classe trabalhadora desde 2004, com a desfiliação da CUT, no Congresso Nacional de 2005, e a participação ativa na fundação e consolidação da Conlutas. “Nós passamos oito anos do governo Lula sendo extremamente isolados e colocados à margem do processo de negociação com o próprio governo. Nós precisamos nos fortalecer enquanto classe trabalhadora e organizar os trabalhadores segundo outro ponto de vista, outra concepção de sociedade”.
Retomar a unidade da classe trabalhadora
Antes da assembleia geral, a APUFPR realizou também um debate com representantes da Conlutas e da Intersindical para aprofundar a discussão sobre a necessidade de reorganização da classe trabalhadora frente à conjuntura de retirada de direitos e de desmobilização dos movimentos sociais a partir das políticas neoliberais da década de 1990.
O diretor da Federação Nacional de Sindicatos de Trabalhadores em Saúde, Trabalho, Previdência e Assistência Social (FENASPS) Hélio de Jesus – representante da Intersindical no debate – ressaltou que a conjuntura comum de reivindicações e greves no funcionalismo público demonstra a necessidade de pautar a construção de instrumentos que unifiquem os diversos setores em luta. “Todo processo de reorganização deve partir de uma necessidade real dos trabalhadores. Vivemos um processo de ataques e de resistência a esses ataques e existe uma necessidade visível de unifi car as diversas lutas que hoje estão isoladas”, defende.
Já o servidor do IBGE e dirigente da Conlutas, Paulo Barela, lembrou em sua exposição que a classe trabalhadora sofre ainda com a conjuntura de crise econômica mundial – iniciada em 2007, e expressa, mais recentemente, na crise enfrentada pela Grécia. Essa conjuntura intensifica o processo de exploração sobre os trabalhadores, com diminuição de salários e retirada de direitos sociais.
“A conjuntura em que nós vivemos requer a unidade da classe e coloca a necessidade de iniciarmos um processo que unifique todos aqueles que querem lutar contra o capital”, argumenta Barela.
Uma nova central, com uma nova estrutura
No Conclat, os delegados eleitos em assembleias irão decidir sobre o caráter, a forma de organização e a estrutura da nova central.
Para o secretário geral da APUFPR, professor Luis Allan Künzle, esse processo coloca em discussão a superação da estrutura tradicional das organizações sindicais, atreladas e dependentes do financiamento estatal. “Nós vivemos ainda na herança do sindicalismo de Vargas. A maior parte das centrais vive do imposto sindical obrigatório e as centrais que tinham um discurso diferenciado, no fundo, hoje funcionam como correntes de transmissão do governo”, critica.
Künzle defende ainda a necessidade de se pensar uma forma de organização que possibilite a construção de uma entidade independente, democrática e mais próxima das necessidades reais dos trabalhadores. |
 |
“Vamos discutir no Congresso a proposta de que os dirigentes dessa nova central sejam escolhidos direto nas entidades de base, para evitar a possibilidade de que algumas pessoas fiquem eternamente na direção da Central”, destaca.
Conceito de classe
O caráter da central – classista ou amplo, com a participação de movimentos populares, minorias organizadas e de estudantes – também deverá ser decidido no Conclat. Negrão explica que o movimento docente defende um conceito ampliado de classe, considerando como trabalhador não apenas aqueles que estão submetidos diretamente a essas relações de produção, mas também estudantes, aposentados e desempregados que se identificam com o projeto da classe trabalhadora. “A recuperação desse conceito significa uma movimentação política contrária a organização das centrais tradicionais”, pontua o professor. A questão da centralidade da classe também deverá nortear a decisão sobre a participação das minorias organizadas na nova central. Segundo Negrão, essa participação não se justifica apenas por serem grupos de gênero, etnia e sexualidade, mas por essas relações de opressão serem entendidas como relações submetidas à relação de classe. “O que unifica essas minorias é justamente a questão da classe trabalhadora, essas discussões devem ter um recorte classista para que avancemos nesse processo”, argumenta.
|
Fonte: APUFPR-SSind |
|
| |

|
|
|
|
|