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11/03/2010

Docentes da UnB retomam greve contra redução salarial

Os professores da Universidade de Brasília (UnB) estão em greve por tempo indeterminado. A decisão foi tomada ontem, durante assembleia, no auditório do CIFMC e contou com a presença de cerca de 200 pessoas.
Com apenas seis votos contrários à paralisação, a decisão retoma a discussão sobre a ordem do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão (MPOG), que ordenou corte de 26,05% no salário de professores e técnicos. A porcentagem é referente ao pagamento da Unidade de Referência de Preços (URP), um adicional concedido aos professores e servidores com o intuito de corrigir defasagens salariais provocadas por mudanças de planos financeiros em governos anteriores.

Motivação
A intenção do comando de greve é atrelar a URP ao movimento de autonomia universitária, posição reiterada pelo vice-presidente da ADUnB, Ebenézer Nogueira. "Esse não é um movimento contra o corte salarial, apenas. É sobretudo uma tentativa de promover um resgate da autonomia da universidade pública", declarou. Muitos dos presentes apostavam na greve como um embrião para puxar uma campanha salarial mais forte para a categoria, embora a todo instante, representantes pedissem para que o foco da mobilização na derrubada da liminar do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão não fosse perdido.
A Reitoria da UnB, por meio de seu assessor, Paulo César Marques, classificou a greve como um "período de turbulência" e disse estar empenhada em facilitar o diálogo entre professores e servidores e o MPOG. "A decisão da greve, que é um direito dos trabalhadores, revela que esse não é um movimento sem autonomia. Estamos fazendo o possível para facilitar o diálogo entre as partes", declarou.
Sobre o ofício encaminhado pelo reitor José Geraldo de Sousa Júnior na noite de segunda-feira ao ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, em que era pedida a revisão do posicionamento do Ministério, o assessor declara que a expectativa é de receber uma resposta positiva. "O reitor pediu que o ministro reconsiderasse a determinação, visto que existe um processo judicial em curso".

A medida afeta diretamente a todos os alunos da UnB, inclusive aos de cursos que, tradicionalmente, não costumam aderir ao movimento grevista, como Economia e Relações Internacionais. "A greve prejudica, mas é uma atitude legítima e plausível", acredita Teresa Bosco Ferreira, aluna de Relações Internacionais.
Apesar de se sentirem prejudicados, boa parte dos estudantes se solidariza aos professores. "A garantia do pagamento integral da URP contribui para a melhoria da qualidade de ensino. O que prejudica a comunidade acadêmica em geral é o não pagamento da URP. Faremos uma assembleia convocando todos os estudantes para dar mais legitimidade ao movimento", afirma Rafael Holanda Barroso, coordenador-geral do Diretório Central de Estudantes (DCE).
Na segunda-feira, os alunos foram recepcionados com faixas pró-greve espalhadas pela universidade. Os sindicatos dos professores e servidores da UnB consideravam a greve como última medida a ser tomada como meio de pressionar o Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão.

Saiba mais
O Sindicato dos Trabalhadores da Fundação Universidade de Brasília (Sintfub), também realizou assembleia ontem, mas optou por adiar a decisão sobre a greve para o próximo dia 16 de março.
No ofício encaminhado ao Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão (MPOG), o reitor da UnB, José Geraldo de Sousa Junior, faz um resumo das ações judiciais que decidiram a favor dos professores e técnicos. Para o reitor, a ação do Ministério "coloca em confronto os poderes Executivo e Judiciário", já que a comunidade acadêmica espera por uma decisão do Tribunal de Contas da União (TCU).

Novidade para estudantes
A Universidade de Brasília (UnB) inaugurou na manhã de ontem, o sistema de transporte interno do campus Darcy Ribeiro. A viagem inaugural contou com a presença da decana de Assuntos Comunitários, Rachel Nunes, e do reitor, José Geraldo de Sousa Junior.
A iniciativa custou R$ 246.457,98 e faz parte de um programa de assistência estudantil que complementa o transporte intercampus, em funcionamento desde o ano passado. Viabilizados com recursos do Programa Nacional de Assistência Estudantil (Pnaes), do Governo Federal, dois micro-ônibus – cada um com 27 lugares e acesso facilitado para cadeirantes e deficientes físicos – percorrerão 21 pontos espalhados pelos cerca de 4 milhões de metros quadrados do campus.

Intenção
Para o Decanato de Assuntos Comunitários, a proposta, além de encurtar distâncias entre os vários prédios e setores da UnB, possibilita conquistas maiores. "Nosso objetivo é proporcionar locomoção em tempo hábil. Mas não só isso", explica Rachel Nunes. "Nossa intenção é minimizar a desigualdade social entre os estudantes e promover um incentivo à permanência na universidade e à diminuição da vulnerabilidade socioeconômica", afirma Maria Terezinha da Silva, diretora de Desenvolvimento Social da UnB.
Para os usuários, a novidade significa não ter mais que percorrer longas distâncias a pé. "Essa é uma medida que facilita muito o dia a dia por aqui", conta a estudante de Artes Cênicas, Thaisa Mendes. "Sem dúvida melhora muito. À noite, principalmente, é muito perigoso. Ouvimos falar de muitos assaltos e o transporte interno gratuito era uma reinvidicação antiga dos alunos", comemora Agda Fonseca, estudante de Letras.
A medida é uma ação em caráter experimental que atende a toda a comunidade. A estimativa é que, inicialmente, mil usuários usufruam do serviço diariamente. Os ônibus circularão a cada meia hora, de segunda a sexta-feira, das 7h30 às 23h30, e partirão da Casa do Estudante Universitário (CEU). "A expectativa é que, gradativamente, possamos diminuir o tempo entre as viagens e expandir a frota", acredita Rachel Nunes.

Fonte: Jornal de Brasília
 
 

 


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