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04/02/2009

Transparência e agilidade serão buscadas a todo custo diz Reitor

Em entrevista exclusiva a APUFPR, o novo reitor Zaki Akel Sobrinho, fala sobre o REUNI, a polêmica do IFET, FUNPAR e sobre os novos rumos da UFPR

Ao assumir a cadeira mais importante da Universidade Federal do Paraná, o professor Zaki Akel Sobrinho, doutor em Administração pela Universidade de São Paulo, revela alegria de assumir a reitoria, mas deixa claro o clima desafiador encontrado.
“Primeiramente é uma alegria estar na cadeira do reitor, pois é um projeto coletivo que resultou nessa vitória. Encontramos uma UFPR com algumas dificuldades. Somente algumas pró-reitorias estão com o trabalho em dia e com equipes bem formadas, as quais, já recomendei aos novos pró-reitores que mantenham os quadros técnicos. Já algumas pró-reitorias possuem lotes de processos muito atrasados, e isso precisa mudar.”
O novo reitor reitera que ainda está na fase de finalizar as decisões da equipe, preenchendo alguns cargos. A prioridade foi dada na escolha das pró-reitorias e agora está passando para a escolha das assessorias.

Desburocratização e agilidade

Após um mês de trabalho à frente do cargo máximo da UFPR, o reitor já se deparou com dificuldades de trâmite dos processos entre diferentes departamentos, segundo ele, foram identificados lotes de processos tramitando a um ano dentro da universidade.
“Nós queremos desburocratizar a UFPR! É uma necessidade da universidade – rever seus processos. A prioridade é dar mais velocidade no atendimento da comunidade, na tramitação e nos pareceres dos nossos processos. Eu creio que vamos gastar uns dois meses para arrumar esses problemas, isso já foi falado para os pró-reitores nas reuniões de trabalho. Em nossas discussões deixei claro que era preciso arrumar a casa sem esquecer os novos projetos e a nova filosofia administrativa que queremos implantar”.

Liderança

Para atingir os objetivos traçados pela nova filosofia administrativa, o novo reitor aposta na liderança da equipe e no relacionamento humano.
“Nossos pró-reitores têm que ser líderes que estimulem o trabalho em grupo, principalmente o segundo escalão, acredito que muitas resoluções de problemas poderiam ser facilmente encontradas se houvesse uma maior integração entre os setores. Eu acredito que o relacionamento humano ajuda em muito o relacionamento profissional. Para que alcancemos esse objetivo serão organizados workshops entre os departamentos para que as equipes se conheçam e que as barreiras, que atualmente existem, comecem a ser quebradas”.

REUNI

Quanto às metas traçadas pelo programa do Governo Federal – REUNI, o novo reitor não descartas as dificuldades e anuncia que será um ano com grandes desafios a serem superados.
“É um ano de grande desafios, principalmente em relação a implantação do REUNI. Há uma grande quantidade de concursos para professores a ser feito, também temos problemas com as instalações físicas, pois teremos que receber 1100 novos alunos a mais. Desde o primeiro dia de trabalho já procuramos a PROGEPE e pedimos um levantamento sobre nossa força de trabalho docente e se ela tem condições para agüentar essas novas turmas. Ao que parece somente nosso quadro de professores substituto está bem servido.
Quanto a infraestrutura física, temos dificuldades, a quantidade de salas de aula se tornou um gargalo, mas para março já foi solicitado ao pró-reitor de Administração, Paulo Roberto Krüger, um plano B para todas as situações. Em hipótese alguma os alunos vão se apresentar sem lugar para as aulas”.

Relacionamento com as entidades

Um ponto bastante ressaltado pelo novo gestor da UFPR é questão da implantação de uma Gestão Participativa. Ele afirma que a nova filosofia prioriza a comunidade e suas entidades representativas.
            A valorização das instâncias coletivas foi uma das diretrizes traçadas pelo novo reitor, que diz estar de portas abertas para os representantes da comunidade acadêmica.
            “Tanto a APUFPR, o SINDITEST como o DCE são os legítimos representantes da comunidade, e serão recebidos como porta-vozes de suas categorias. Estamos abertos as sugestões de mudanças, às críticas construtivas. Nosso desejo é que haja uma interação maior entre os anseios da comunidade e os Conselhos Superiores, os quais já possuem uma boa representatividade da comunidade, mas acredito que os Conselhos têm que ser instâncias de debates, para que sejam ouvidas as várias linhas de pensamentos que existem dentro da universidade. Quero que os conselhos discutam as políticas da universidade e não apenas homologuem as resoluções. Um dos primeiros pontos que gostaria que fosse discutido é o PROVAR, que é um programa criativo, inovador, mas se puder ser feito alguns ajustes seria o ideal”.
            Ainda em relação a nova forma de administrar a UFPR, o reitor afirmou que na última reunião com os diretores dos setores o clima foi de otimismo e apoio, os quais mostraram muita vontade de que o discurso se concretize em ações práticas. Para ele, a primeira mudança sentida será a participação mais efetiva da comunidade na administração da universidade.

Servidores

Quando o assunto perguntado é o grande número de docentes que estão licenciados por problemas no ambiente de trabalho, inclusive por assédio moral, o novo reitor não descartou a existência da grave situação e disse que um dos remédios será implantação da nova política de gestão de pessoas.
“A segunda mudança marcante será a política de gestão de pessoas. Eu tenho dito reiteradas vezes que mais que do prédios, laboratórios e salas, nós precisamos de pessoas qualificadas e prontas para o trabalho. Precisamos valorizar as pessoas e o ambiente de trabalhado dos servidores. Para que isso aconteça, implantaremos uma política muito forte de gestão de pessoal, tanto docente quanto técnico. No caso dos docentes precisamos fazer um financiamento mais efetivo na participação em congressos, viagens, é precisão achar recursos pra isso. É dar importância a qualificação dos docentes. Isso também aborda a  política de relações internacionais forte que queremos implantar, porque hoje nossos colegas com mestrado e doutorado só alcançarão nível 6 ou 7 pela CAPES com a internacionalização. Nós queremos abrir essa oportunidade para que nossos docentes possam ter uma mobilidade acadêmica mais intensa, que possam buscar parceiros em programas internacionais para fazermos pesquisas e publicações conjuntas e assim tenhamos programas de pós-graduação internacionalizados”.
            E para minimizar os problemas laborais dos servidores o novo reitor anunciou investimentos em infraestrutura, o que segundo ele também é uma ação para melhorar a qualidade de vida das pessoas que trabalham na UFPR.
            “Outra questão importante é uma atenção maior com a infraestrutura de apoio ao ensino. Será feito um trabalho intenso para que as salas de aula sejam equipadas com canhões de reprodução de imagens, um laptop ou desktop, para melhorar as condições de trabalho para o docente. Isso é qualidade no ensino”.
            O reitor também anunciou a instalação de uma rede wireless em todos os campi da universidade, um grande investimento em bibliografia e programas de qualificação e reciclagem dos docentes.
“Não serei um reitor de gabinete. Como já me disse o ex-Reitor Faraco – Não fique refém da gaiola verde. Pretendo circular pela universidade, para não perder o contato com a realidade da universidade”.

Assédio Moral

O reitor reconheceu que ainda existem muitos problemas de relacionamento dentro do corpo de servidores da UFPR e que irá enfrentar isso com muita energia. Uma das ferramentas contra o problema de assédio moral será a criação de novos canais de comunicação com a reitoria.
Entre as ferramentas a serem implantadas estão o Fale com o Reitor, Audiências Abertas com os setores. Ele enfatizou o canal Audiências Abertas nos setores, o qual dará oportunidade a qualquer pessoa ter uma audiência com o reitor para tratar de qualquer assunto.
Nos casos de assédio moral o reitor afirmou que será enérgico e que os casos que chegarem a ele serão resolvidos através de uma conversa ou até mesmo por uma sindicância.
“Nós sabemos que há muitos conflitos, assédio moral, esses são alguns problemas que elevam os números de licenças médicas e nós vamos enfrentar isso com muita transparência, com uma ouvidoria muito efetiva e que preste contas a comunidade”.
            O reitor anunciou também que haverá dias em que fará atendimento no saguão da Reitoria recebendo quem chega e conversando com todos, com pauta livre, e, segundo ele, encaminhar de forma ágil e mais correta possível, até mesmo os casos de assédio moral.

TCU

Em referência os constantes anúncios da mídia sobre irregularidades financeiras apontadas pelo Tribunal de Contas da União (TCU) o reitor deixou claro que todas serão devidamente revistas ponto-a-ponto, inclusive as constantes no último relatório emitido pelos auditores do TCU.
“Transparência, é isso que vamos buscar. Sempre procurei prestar contas do meu trabalho para o Conselho dos Curadores. Uma das diretrizes dessa administração será a transparência. O foco será dar a comunidade muito acesso as informações. E uma das primeiras atitudes que estamos tomando é firmar um relacionamento institucional com os órgãos de controle. Já deixamos claro que queremos trabalhar em parceria com o TCU, mas o órgão também precisa entender melhor a natureza de uma universidade, ela não é uma repartição pública comum, ela é multi-campi, ela recebe dinheiro de diversas fontes, aulas de campo, tem um prazo menor de gestão, e é tudo isso que estamos tentando mostrar aos órgão de controle. Se eles entenderem melhor o funcionamento da universidade terão uma eficiência ainda maior na fiscalização.
Ainda este mês haverá reuniões de trabalho entre a equipe de fiscalização e a equipe de administração da UFPR, e os problemas deverão ser sanados.
Assim como a relação entre a UFPR e a Funpar deverão ser esclarecidos todos os pontos constante no relatório do TCU. O exemplo do que queremos fazer foi dado com os professores do Centro de Estudos do Mar, que estavam se recusando a usar o Cartão Coorporativo em função dos escândalos que vinha sem divulgados. Eles foram levados aos auditores e explicaram como eram utilizados os cartões nas aulas de campo. Os professores foram compreendidos e receberam instruções de como usar os cartões para que futuramente não fossem mal interpretados.
É esse tipo de aproximação que a universidade está precisando”.

Lição de casa

Em relação às irregularidades apontadas pelo TCU o reitor recomendou a todos os pró-reitores que seja feita a “lição de casa”, o que realmente estiver irregular seja coibido.
“Vai ser feita uma reunião de trabalho com os gestores somente sobre o relatório do TCU publicado no final de novembro de 2008, e nós precisamos fazer a lição de casa. Vamos ver todas as questões ilegais e ajustar. Não é uma questão de autonomia, e sim de legalidade. Se houver alguma coisa errada nós temos que coibir. Inclusive o TCU nos deu o prazo de 180 dias, assim como estendeu o mesmo prazo para o MEC para que ajuste a relação entre as fundações e as universidades.
Na última reunião da ANDIFES, a qual estava presente, foi sugerido a formação de uma comissão composta por membros do MEC e das universidades para estudar o relatório do TCU, para que assim possam ser tomadas resoluções sobre como evitar essas séries de problemas apontados pelos órgão de controle. Um exemplo é a mudança da data de envio de recursos no final de exercício, pois como o depósito é feito dia 23 de dezembro, eles são jogados na fundação.
O MEC está preocupado, pois o prazo de 180 dias também está correndo pra eles”.

 

IFET

Com a criação do Instituto Federal de Tecnologia no Paraná (IFET-PR), nova modalidade de instituição federal de ensino criadas a partir das escolas técnicas vinculadas às universidades federais, muitas dúvidas surgiram quanto ao Setor Escola Técnica, que pertence a universidade assim como a estrutura física.
Quanto a essa polêmica que ainda paira no ar, o reitor foi categórico que o terreno e toda a infraestrutura pertence a UFPR, que o Setor permanece na UFPR, assim como os docentes que optaram por ficar na universidade. Segundo ele será nomeado o quanto antes um diretor pró-tempore para administrar a estrutura. E ainda será estabelecido que quatro pró-reitores da UFPR serão os responsáveis para atender aos pedidos do IFET-PR que utilizará temporariamente parte da estrutura do setor.
“Eu e o vice-reitor tivemos uma reunião com o professor Alípio Santos Leal Neto (reitor do IFET-PR) e o professor Luiz Gonzaga Alves de Araújo, onde decidimos uma série de coisas. A primeira é criar uma comissão com quatro pró-reitores da UFPR e do IFET-PR para fazer a parte mais operacional. O prédio é nosso! O nós faremos é uma permissão de uso para que o IFET use enquanto eles constroem a sede própria em um terreno já doado em Curitiba. Nós iremos coabitar o mesmo prédio, mas nós é que vamos definir o espaço que poderá ser emprestado ao IFET, a prioridade é dos cursos do setor da universidade.
Os docentes que optaram por ficar, irão permanecer no Setor Escola Técnica ou não, mas quem vai decidir isso é o COUN. Já pedi para a nossa pró-reitora de Graduação para preparar uma proposta que será encaminhada para uma discussão com essa comunidade remanescente e depois disso levar ao conselho. Existem atualmente duas vertentes: uma que dever continuar o setor como está e outra que deve ser fatiado e espalhado pela nossa estrutura, mas isso será debatido muito com a comunidade antes de qualquer decisão.
O Setor permanece com os cursos do Reuni, com a estrutura física, com os novos contratados, e continuará com o mesmo apoio como todos os setores da UFPR. Após nomear um diretor pró-tempore será feita uma reunião para esclarecer todas as informações conflitantes”.