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11/01/2008
ANDES-SN quer reabrir negociações salariais, apesar do fim da CPMF

Sindicato nacional pretende continuar lutando pela reabertura das negociações salariais, apesar do governo continuara anunciando que os reajustes devidos aos servidores públicos estão comprometidos.

 

O Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior - ANDES-SN vai continuar lutando pela reabertura das negociações salariais, apesar de o governo federal ter anunciado que, com o fim da CPMF e o lançamento do novo pacote tributário, os reajustes devidos aos servidores públicos podem ficar comprometidos.

Para o 3º vice-presidente do ANDES-SN e um dos coordenadores do Setor das Federais, Almir Serra Martins Menezes Filho, o fim do imposto não pode servir como desculpa para que o governo não atenda às reivindicações dos docentes.

"Desde fevereiro, quando deflagramos a campanha salarial, o governo vem dizendo que não têm recursos para garantir a recomposição das nossas perdas. Primeiro, o motivo era o congelamento orçamentário previsto no Programa de Aceleração do Crescimento - PAC. Agora, a desculpa é o fim da  CPMF", lembra o diretor.

Almir recorda também que, embora as negociações com o governo tenham se estendido de agosto a dezembro de 2007, elas foram encerradas de forma autoritária e unilateral, após o governo apresentar uma proposta de reajuste que prevê índices de recomposição salarial abaixo da inflação para parte significativa dos docentes de 3º grau e, pior, excluí os docentes de 1º e 2º graus do reajuste.

"Um sindicato ético e comprometido com sua categoria jamais poderia admitir que cerca de 5,2 mil docentes não recebessem reajuste algum. Por isso e por outras distorções graves contidas na proposta, não assinamos o acordo proposto pelo governo e vamos continuar pleiteando a reabertura das negociações salariais com a categoria", justifica.

O diretor destaca que, apesar de o governo ter prometido apresentar uma proposta para os docentes de 1º e 2º graus até o dia 9 de janeiro, é impossível saber, agora, frente à nova conjuntura econômica, se o acordo será mantido. "Essa estratégia do governo de dividir a categoria para negociar as recomposições salariais é inadmissível, porque gera distorções e quebra o princípio de isonomia entre a categoria", critica.

Sobre o corte de R$ 20 bilhões na proposta de orçamento para 2008 que, conforme anunciou o ministro Fernando Haddad, irá afetar a verba destinada ao Ministério da Educação - MEC, Almir é taxativo. Para ele, a atitude do governo só comprova o descaso do governo Lula com a educação superior e demonstra que o Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão  das Universidades Federais - REUNI, instituído pelo Decreto nº 6096/07, não terá condições de garantir a qualidade do ensino, da pesquisa e da extensão nas universidades federais.

"Se com os recursos previstos inicialmente o ANDES-SN já considerava o REUNI uma farsa, imagine agora. O programa promete dobrar o número de alunos nas salas de aula e reduzir a reprovação para 10%, sem investir de maneira efetiva em infra-estrutura e recursos humanos. Só mesmo com um passe de mágica isso seria possível".

Fonte: ANDES-SN