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21/09/2007

Ensino médio vive "crise aguda", diz ministro da Educação

Da Agência Brasil

• Por que os brasileiros estão fugindo da escola pública?
• Violência, greve ou qualidade de ensino?

O ensino médio vive "uma crise aguda", afirmou o ministro da Educação, Fernando Haddad, nesta segunda-feira (17). A declaração foi feita na abertura do seminário Ensino Médio Diversificado, na Câmara dos Deputados, em Brasília.

Com base nos resultados do Saeb (Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica), o ministro acrescentou: "O ensino médio custa a reagir".

Haddad disse que há perspectivas de melhora na qualidade do ensino médio em dez ou 15 anos, mas não é possível esperar esse tempo para oferecer educação de qualidade aos jovens.

O ministro admitiu que, em 2004, o governo acreditava que a qualidade do ensino médio melhoraria se fossem ampliadas as oportunidades de acesso à educação superior.

"Imaginávamos que essas providências [ProUni e ampliação de vagas nas universidades federais] poderiam ajudar a robustecer o ensino médio, mas os indicadores, pelo menos até 2005, demonstram que essas iniciativas não têm impactado satisfatoriamente a questão da qualidade."

Para melhorar o quadro, o ministro defendeu a ampliação das escolas técnicas profissionalizantes e a discussão de um novo currículo para o ensino médio. Ele afirmou que a separação entre formação geral e profissionalizante no ensino médio "está um pouco fora de moda". Para o ministro, a formação geral "é desinteressante" para uma boa parcela dos estudantes.

"Não podemos dar uma formação geral de primeiro mundo para alguns jovens e uma formação técnica para um sistema produtivo obsoleto para outros Jovens. Temos que combinar virtuosamente essas duas dimensões", disse.

Entre 2005 e 2006, a rede pública de ensino perdeu 311 mil alunos no Brasil, segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Segundo professores, pais e diretores de escola, qualidade de ensino, violência e greves são alguns dos motivos por trás dessa evasão.