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04/05/2007

Previdência privada entra em colapso na Inglaterra

Por Nelson Franco Jobim

Londres - O sonho de uma aposentadoria tranqüila com pensão igual ao último salário da ativa garantido pela previdência privada - uma das promessas do neoliberalismo thatcherista - acabou. Centenas de milhares de homens britânicos com 54 anos ou mais e mulheres de 49 anos ou mais que aderiram a fundos de pensão privados estão sendo aconselhados por grandes seguradoras privadas a voltar para o setor estatal. Nos próximos cinco anos, três milhões podem voltar para a Previdência Social. É um duro golpe na tentativa do governo Tony Blair de aliviar o peso dos gastos previdenciários.

Ao menos três grandes seguradoras têm enviando milhares de cartas a seus clientes, no momento em que diversas empresas abandonam a promessa de aposentadoria com salário integral, diante da significativa queda no preço das ações nas bolsas de valores, onde os fundos de previdência privada aplicam a maior parte do dinheiro que arrecadam. O fracasso foi admitido até pelo presidente da Associação Nacional dos Fundos de Pensão, Peter Thompson, durante uma conferência realizada em Edimburgo, capital da Escócia: "Os jovens devem pensar bem antes de decidir com que tipo de pensão querem contratar".

No entanto, o ministro da Previdência, Alistair Darling, insiste que o governo não vai alterar sua estratégia. Nos últimos 10 anos, 12 milhões de britânicos deixaram o plano de aposentadoria complementar estatal que lhes garantiria uma pensão equivalente ao último salário. Cerca de 3,7 milhões optaram por planos de previdência privada. Para o diretor de desenvolvimento de pensões da Scottish Equitable, Stewart Ritchie, "com a queda da expectativa de retorno dos mercados financeiros" o rendimento dos fundos de pensão "não está crescendo suficientemente para cobrir o aumento crescente da longevidade". Resultado: quem está na faixa dos 50 anos não terá o dinheiro com que sonhou um dia diante da propaganda enganosa da previdência privada. "É uma notícia para o governo", acrescentou Ritchie, que era membro do extinto Grupo de Provisão de Pensões do governo britânico, em entrevista ao jornal Financial Times.

O plano de Blair era fazer com que 60% do dinheiro das aposentadorias viesse do setor privado. Não mais. As pessoas terão de procurar o complemento da pensão mínima garantida pelo Estado também no setor estatal. Pior ainda para os fundos de pensão: diante dessa perspectiva sombria, menos trabalhadores aderem, o que diminui ainda mais a receita. "Esta é mais uma razão para as empresas revisarem a promessa de aposentadoria com salário integral", observou Paul Greenwood, diretor de pesquisas sobre aposentadoria da William M Mercer, uma empresa de consultoria e assessoria previdenciária.

Como de costume nas privatizações de serviços essenciais que não dão certo - como nos casos do sistema ferroviário e do controle aéreo - o Estado (a sociedade) deve se preparar para pagar a conta diante do fracasso do setor privado.

 

Fonte: Agência Carta Maior

 

 
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