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02/02/2007

Entrevista

Paulo Rizzo, presidente do ANDES-SN, fala sobre as perspectivas para o 26º Congresso

O 26º Congresso do ANDES acontecerá entre 27 de fevereiro e 04 de março de 2007 em Campina Grande (PB), com o tema Reconstruindo a unidade dos trabalhadores para enfrentar as velhas reformas do novo governo. O evento será sediado pela ADUFCG e deverá reunir mais de 350 delegados. Paulo Rizzo, presidente do ANDES-SN, afirma que a maior expectativa do sindicato é que o congresso seja bem preparado nas bases do movimento docente e que os delegados levem ao congresso posições amadurecidas e enraizadas sobre os temas que estarão em pauta. Rizzo enumera como prioridades para 2007 o enfrentamento ao processo de mercantilização da educação, à política de cortes já anunciada pelo governo, às reformas da previdência, sindical e trabalhista e a campanha salarial da categoria.

Quais são as expectativas da diretoria do ANDES-SN em relação ao 26º Congresso?

O 26º Congresso está convocado e temos três meses para prepará-lo. A nossa maior expectativa é que ele seja bem preparado nas bases do movimento docente e que os delegados levem ao congresso posições amadurecidas e enraizadas sobre os temas que estarão em pauta. Teremos que deliberar sobre um novo plano de lutas que arme o sindicato para enfrentar em patamar mais elevado o processo de mercantilização da educação, a já anunciada política de cortes por parte do governo, a possível terceira reforma da previdência, as reformas sindical e trabalhista, a campanha salarial e o conjunto das reivindicações da categoria. Todas as propostas que se anunciam para as políticas do novo governo apontam para a retirada de direitos dos trabalhadores e, portanto, 2007 promete ser um ano de muitas lutas. Teremos que fortalecer o sindicato e os processos de reorganização da classe trabalhadora, e aí assume destaque o tema da relação com a CONLUTAS, pois a decisão sobre a filiação a esta entidade está pautada no 26º Congresso.

Quais serão os principais desafios da luta contra as reformas que o governo Lula deve retomar nesse segundo mandato?

O maior desafio será o de termos a capacidade de promovermos um enfrentamento articulado, pois há uma unidade nas reformas neoliberais apesar delas, pelo menos até o momento, terem sido implantadas por uma infinidade de medidas. Isto deve ser a principal preocupação na definição do plano de lutas. O sindicato perderá sua força se ficar respondendo isoladamente a cada item do plano de lutas ou a cada anúncio de nova medida que o governo pretende implantar. O principal das reformas é a retirada de direitos dos trabalhadores e, portanto, a unidade do plano de lutas será a defesa dos direitos dos professores, da juventude e dos trabalhadores.

Como o ANDES-SN pretende encaminhar as ações políticas contra as reformas, principalmente a universitária (PL 7200) e a sindical?

O PL 7200 deve ser retirado do Congresso Nacional, pois sua tramitação só beneficiará o setor privado e, para isso, já estamos em luta nos articulando com um bom número de entidades e precisamos aglutinar forças em um grande movimento nacional em defesa do direito de todos os brasileiros à educação pública em todos os níveis. Organizações como o Fórum Nacional em Defesa da Escola Pública devem ser rearticuladas em todo o país para potencializar a luta em defesa da esfera pública, pois o embate principal na educação será entre o público e o privado. A reforma sindical, que o governo não conseguiu fazer no primeiro mandato, tem por objetivo possibilitar a reforma trabalhista sem resistências. Elas se combinam nas exigências do Capital que, em nome do incremento de competitividade das empresas brasileiras, precisa da flexibilização dos direitos dos trabalhadores e da redução de sua capacidade organizativa. Também, neste caso, precisaremos estar ombro a ombro com outras organizações da classe.

Como o ANDES-SN tratará a reorganização dos trabalhadores?

Bem, este é um assunto que já estamos tratando há bastante tempo. O ANDES-SN é uma das organizações que não cedeu aos encantos da cooptação que teve lugar no primeiro mandato de Lula. A desfiliação da CUT, decidida pelo 24º Congresso, em março de 2004, deveu-se principalmente ao fato de a CUT ter se transformado em peça de sustentação do governo e agente das reformas da previdência e sindical. Ao longo dos últimos anos, nosso sindicato tem atuado na linha de conclamar todas as organizações sindicais e dos movimentos sociais a romperem com o governo e a reconstruírem a unidade dos trabalhadores no terreno da autonomia e da independência. Participamos da construção da CONLUTAS e de todos os fóruns de luta que buscam trilhar este caminho.

Para a maioria dos trabalhadores, como bem demonstram os servidores públicos federais, o caminho da cooptação foi um verdadeiro desencanto, pois foi este o instrumento utilizado pelo governo para promover divisões na classe e impor derrotas e perdas de direitos. A recusa à cooptação é crescente em todos os segmentos da classe e isso nos anima, ainda que as tarefas na direção da reorganização da classe sejam grandiosas. O debate sobre isso vai muito além da deliberação sobre filiar ou não o sindicato à CONLUTAS. Trata-se de assumirmos integralmente o papel político que o ANDES-SN pode ter no caminho da reorganização dos trabalhadores.

Fonte: ANDES-SN

 

 

 

 
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