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Professores da UFPR concorrem às eleições de 2006 e dão entrevista à APUFPR-SSind

A APUFPR-SSind abre espaço em seu informativo quinzenal para os candidatos às eleições de 2006 ligados à Universidade Federal do Paraná responderem a questões de interesse da comunidade universitária.

Flávio Arns

Flávio Arns é candidato ao Governo do Estado do Paraná pelo PT.

Quais os principais pontos que o seu Programa de Governo tem com relação à Educação do Paraná como um todo, desde a educação infantil ao ensino superior?

Minha crença na educação como via de acesso ao desenvolvimento pessoal e da sociedade é também um compromisso que assumi na minha trajetória de vida. Sempre trabalhei com educação, lecionando, pesquisando, planejando ações para a área, legislando e buscando sempre que as leis fossem cumpridas. Agora, quando tenho a oportunidade de apresentar um projeto de desenvolvimento para o Estado do Paraná, coloco este compromisso como prioridade absoluta. Como governador, vou investir na educação das pessoas desde o início de sua caminhada pela vida, universalizando o acesso e garantindo a permanência na escola durante toda a educação básica e também no ensino superior. Para isso, esta área terá prioridade no orçamento. Meu principal compromisso assumido com a educação é a garantia de investimento permanente, aplicando 30% do orçamento em educação básica, ou seja, indo além dos 25% que determina a Constituição Federal. No Paraná, enfrentamos um grande desafio que é a universalização do acesso e a garantia de permanência na escola em toda a educação básica. Esta é a nossa meta: garantir o acesso e a permanência com uma educação de qualidade. Por isso, vamos oferecer condições materiais, pedagógicas e administrativas para que a escola realize a função que lhe é própria. Outro compromisso que tenho é com a gestão democrática da educação. O governo do Estado vai, sistematicamente, consultar a comunidade educacional e a sociedade civil organizada na definição e implantação de políticas educacionais, incluindo o Plano Estadual de Educação. Vamos organizar o Sistema Estadual de Educação, aprovando e regulamentando a nova Lei do Sistema de Ensino. Contudo, não há como pensar em qualidade da educação sem priorizar a valorização dos trabalhadores da educação. Temos como objetivo a implantação do PCCS - Plano de Cargos, Carreira e Salários, apresentando uma política de valorização contínua. As políticas de valorização dos profissionais da educação devem articular a formação inicial e continuada com a dignidade salarial, jornada de trabalho e a carreira desses profissionais.


Como o Sr. vê a crescente privatização dos serviços do Estado?


As privatizações vão contra nossos princípios e nossa busca por um Estado cada vez mais forte. Defendo a manutenção de nossas estatais e o aumento da sinergia entre elas. Para tornar o Estado mais eficaz, devemos vincular a produção estatal ao desenvolvimento da Ciência e Tecnologia; superar o paradigma de custos das mesmas, independentemente da fonte de recursos; substituir a financeirização por aumento de capital, através de abertura à população do Paraná, sem que a empresa perca a característica estatal; além de universalizar o acesso aos serviços e aumentar a área de abrangência para além das fronteiras do Estado.

Renato Lima

Renato Lima é candidato a Deputado Federal pelo PV.

Qual a sua posição em relação à Reforma Universitária?

Inicialmente, com a experiência de ter sido Presidente do Conselho da APUFPR-SSind e de ter integrado diversas comissões e movimentos da APUFPR, quero cumprimentar a iniciativa de permitir aos associados conhecer a posição de candidatos sobre importantes temas nacionais. Especialmente para quem nunca foi candidato e está num partido longe do poder é essencial ter a oportunidade de apresentar suas idéias.
Sobre a reforma universitária, expresso a minha posição no sentido de reconhecer e estimular uma reforma universitária, que caminhe no sentido de garantir o acesso ao ensino público, gratuito e de qualidade. Entretanto, a proposta apresentada pelo governo do PT, com apoio na maioria das vezes do PMDB, PL, PTB e demais partidos da base aliada, em vários pontos aponta em direção contrária, favorecendo um “descompromisso” do Estado com as instituições públicas, ao tempo em que privilegia a transformação do ensino em mercadoria.

Ao contrário destes partidos, o Partido Verde é um partido de oposição ao governo federal, e tem entre seus princípios fundamentais o saber, onde reconhece “o investimento no conhecimento como única forma de sair da indigência, do subdesenvolvimento e da marginalização para uma sociedade mais informada e preparada para o novo século”.

A educação superior é uma responsabilidade do nível federal e deve ser tratada como tema estratégico, jamais estando subordinada a interesses e variáveis de mercado ou do poder. Considero que devemos manter a relação acadêmica “professor-aluno”, evitando na educação o relacionamento “vendedor-cliente”.
O fortalecimento das Instituições Federais de Ensino Superior é uma condição essencial para que o país se desenvolva, melhore a qualidade de vida dos brasileiros e garanta sua independência através do desenvolvimento científico e tecnológico.

Diante dos ataques do governo aos servidores públicos, como o Sr. se posiciona nas questões da reforma da previdência e das reformas sindical e trabalhista?

Vou lhes contar uma história: Em 1982 eu tinha a oportunidade de entrar numa empresa de mineração e havia passado no concurso para ser Professor da UFPR. O salário da empresa era cinco vezes maior que o da UFPR para Professor Auxiliar. Após refletir, optei pela UFPR por considerar que teria melhores oportunidades de desenvolvimento pessoal e aposentadoria integral, com menor tempo de contribuição. Diz o ditado que “ninguém é obrigado a tratar, mas tratando tem que cumprir”. O que foi tratado comigo não está sendo cumprido, e em virtude das várias reformas neste acordo, as universidades públicas têm perdido muitos dos seus melhores quadros.

Os assuntos da pergunta são relevantes e complexos, e muitas vezes não têm recebido a devida atenção dos Professores. Reconheço a dificuldade que temos como Professores envolvidos em múltiplas tarefas de ensino, atividades de pesquisa e projetos de extensão, em acompanhar cada um dos temas que diretamente nos afetam.

Entre outras, esta é mais uma razão para termos uma entidade sindical ativa e participante, pelo que cumprimento a todos os que, ao longo do tempo, têm se sacrificado para acompanhar este e outros assuntos de interesse da categoria.
Considero da maior relevância a discussão do aperfeiçoamento da legislação trabalhista, para garantia dos diretos do trabalhador, e em particular do servidor público. Em todos os países busca-se que a legislação garanta ao trabalhador a proteção do Estado nas relações de trabalho. A par disto, a discussão deve também promover condições para o desenvolvimento, garantindo ao empresário direito a uma legislação clara, justa e duradoura. Isto permite o desenvolvimento das oportunidades de emprego e crescimento do país.

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