A Associação de Professores da Universidade Federal do Paraná, em conjunto com o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra e o Sindicato do Magistério Municipal de Curitiba, realiza entre amanhã e sexta-feira o Iº Seminário Movimentos Sociais e Universidade. O evento acontece no auditório de Ciências Jurídicas do prédio da Santos Andrade da UFPR e contará com a presença de representantes de diversos movimentos sociais, do campo e da cidade. Durante o Seminário, serão discutidos o papel social da educação e a atualidade dos movimentos sociais no Brasil, frente às mudanças em curso. Serão debatidas também ações de educação popular ligadas aos movimentos sociais que já ocorrem na UFPR, como projetos de extensão, ensino e pesquisa e núcleos de vivência.
A presidente da APUFPR - Associação dos Professores da Universidade Federal do Paraná, Astrid Avila, conta que o projeto do Seminário surgiu a partir da constatação de que a Universidade conta com uma série de projetos que se destinam a fazer um trabalho em conjunto com os movimentos sociais, mas que não havia nenhuma relação ou troca de informação entre eles. “A importância do evento é justamente poder articular esses projetos entre si e criar um espaço também para descobrir quais são as demandas atuais que esses movimentos colocam para a Universidade”, ressalta Astrid.
Para o presidente do Conselho de Representantes da APUFPR, Claudir José Daltoé, docente do setor de Ensino Profissional e Tecnológico (antiga Escola Técnica) e especialista em Educação do Campo e Agroecologia, a iniciativa de realizar o Seminário tem como mérito principal possibilitar a troca de diálogos entre a comunidade acadêmica e os movimentos sociais organizados. Segundo o professor, esse tipo de evento cria espaços de discussão onde os diferentes agentes sociais da educação pública, sejam trabalhadores do campo e da cidade, estudantes ou servidores públicos, reconstituem o ambiente ideal para o debate público no interior da Universidade. “A realização deste Seminário, construído pelo conjunto da classe trabalhadora organizada e pelos segmentos mais avançados e comprometidos da Universidade, possibilita a construção de projetos e propostas, mais integrados aos anseios populares, promovendo maior emancipação social”, destaca.
Alessandro Marino, do setor de educação do MST, também defende a importância do Seminário como um espaço de diálogo e troca de experiências. Ele explica que a educação tem um papel fundamental para os movimentos sociais na formação de indivíduos críticos e comprometidos com a construção de uma nova sociedade. Entretanto, apesar da importância dada ao tema pelo movimento, as universidades são ainda um espaço distante da realidade social dessas organizações. “A universidade, enquanto instituição serve a um projeto, que não é o projeto da classe trabalhadora. Muitas vezes, ela funciona para afastar ainda mais as pessoas desse projeto, reproduzindo uma formação acrítica”, acrescenta.
Além de incentivar a troca de experiências e articulação entre diferentes projetos da UFPR, a primeira edição do Seminário Movimentos Sociais e Universidade terá incluso o intento de comemorar os 25 anos de fundação do MST. O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra foi fundado na cidade de Cascavel, oeste do Paraná, em 1984. A organização reúne milhares de trabalhadores rurais que decidiram fundar um movimento social camponês, autônomo, que tem como objetivo lutar pelo acesso a terra, pela reforma agrária e pelas transformações sociais que julgam necessárias para o país.
Para comemorar o aniversário do MST, além dos debates e atividades promovidas no Seminário, está sendo realizada também uma exposição de fotos que relatam o histórico percorrido pelo movimento. As 25 fotos escolhidas retratam os grandes atos e marchas do MST, e mostram também as singularidades do cotidiano da vida nos acampamentos e assentamentos.
As fotografias em exposição são o registro de 25 anos de existência e de luta de um movimento social do campo. Contam as experiências, tristes e alegres, vividas pelo MST nesses anos: a abertura das porteiras das fazendas, os acampamentos de lona preta, os despejos violentos, os enfrentamentos com os jagunços e fazendeiros, mas também a experiência bem-sucedida das escolas itinerantes e dos assentamentos que produzem tendo como horizonte a agroecologia.
A exposição itinerante teve início na última sexta-feira (23) e deve percorrer nove setores da UFPR até o próximo dia 6 de novembro, quando será realizado o encerramento da atividade juntamente com o Seminário.
Serviço
Exposição fotográfica - MST 25 anos de Lutas e Conquistas
Quarta-feira (4/11) - 9h às 16h - Setor de Ciências Agrárias UFPR.
Quinta e Sexta (5 e 6/11) - 9h às 20h - Setor de Ciências Jurídicas UFPR.
Campus Santos Andrade, saguão do prédio.