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19/12/2008

PTifes. ALGUMAS CONSIDERAÇÕES SOBRE A RELAÇÃO PT/PROifes

Professor Dr. Renato Roxo Coutinho Dutra

Após o Golpe Militar de 1964, tínhamos dois partidos políticos: o MDB e a Arena. Os tempos mudaram. Surgiram vários e, entre eles, o PSDB, fundado pela chamada “ala autêntica” do antigo MDB, e o PT. O PSDB chegou ao Poder. E, com ele, a decepção. Mesmo assim, continuamos acreditando que ainda era possível mudar, valorizando a honestidade, a lisura, o respeito à coisa pública; seria o fim dos programas assistencialistas, do clientelismo, dos conchavos políticos, da impunidade. Elegemos o Presidente Luiz Inácio, acreditando no PT e na sua bandeira de ética na política.

            Decepcionados, vimos um Presidente deslumbrado com o Poder, dando continuidade às ações do governo anterior. A mesma linha na política econômica, perversa por natureza, os mesmos projetos sociais assistencialistas e as mesmas práticas imorais na condução das articulações entre os vários partidos políticos.

            Blindar o Presidente do “Eu não sabia!” se tornou sinônimo de encobrir irregularidades, práticas condenáveis, acordos inaceitáveis, enfim, aceitar a impunidade e desconsiderar um código de conduta que vem sendo escrito ao longo da história da sociedade humana.

            O mesmo desrespeito para com o Movimento Docente, legitimamente representado pela ANDES.

            Mas, vamos ao PROIFES.

            Quando nos sentimos traídos, execramos a nefasta CUT, desvinculando-nos da mesma; entretanto, anteriormente, durante nossa última greve, a semente do mal já havia sido plantada, permanecendo em estado latente, apesar da batalha vencida.

            Em 2001, o governo do PSDB tinha como Ministro da Educação o Professor Paulo Renato Costa Souza. Nas assembléias convocadas pelas várias Associações de Professores, docentes eram indicados para, em Brasília, fazer parte do Comando Nacional de Greve que, entre outras atribuições, negociava com o MEC aspectos democraticamente decididos pela categoria. Surpreendentemente, um pequeno grupo de pessoas, também hospedado no Distrito Federal, se arvorava como representante dos professores e pretendia negociar por eles.

            Criar uma nova entidade, com uma visão diferente daquela que predomina na atual gestão da ANDES é bastante salutar, já que a diversidade de idéias é uma das bases da democracia. Conquistar nas urnas o direito de nos representar é algo legítimo e indiscutível. Obter o direito à representatividade usando outros métodos é o que contestamos.

Repudiados e rechaçados em nossas assembléias, já que não tinham legitimidade para nos representar, aparentemente desapareceram. Difícil entender como colegas se sujeitaram a tentar dividir o Movimento Docente, estabelecendo uma representação paralela a ANDES, que sempre se destacou pela defesa intransigente dos interesses dos docentes, da Educação de qualidade acessível a todos os brasileiros, pela transparência, pelo respeito às instituições democráticas e por sua autonomia em relação aos poderes constituídos. Quais seriam os interesses desse grupo? Que vantagens lhes teriam sido oferecidas? Não sabemos e não podemos afirmar que o foram, porém, com certeza, a semente estava lá.

            Agora, no governo do PT, e com o apoio da famigerada CUT, ela germinou, originando uma erva daninha que se chama PROIFES. Quanto oportunismo disfarçado de idealismo e quanta obscenidade travestida de moralidade. Que vergonha!

 

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