19/09/2008
ZOOPOLÍTICA. O ABUTRE, O RATO, O LEÃO E O MOLUSCO LULA
Prof. Dr. Renato Roxo Coutinho Dutra
Setor Escola Técnica da Universidade Federal do Paraná
Estamos no final do ano de 2001. A greve dos professores chegou a um momento crítico e a tensão domina a todos. Em nossa Assembléia , os ânimos estão exaltados entre os dois grupos em que se dividem os docentes e, nos debates em torno de seus ideais, princípios e convicções, palavras ríspidas vêm à tona.
Na troca de desaforos as figuras do abutre e do rato são utilizadas como ofensas pessoais, o que só serve para denegrir a imagem dos pobres animais. Na platéia sinto-me profundamente indignado, pois como zoólogo aprendi, ao longo de minha vida, a admirar e respeitar os animais.
Neste momento lembro-me das palavras da conceituada Professora Liliana Forneris, da Universidade de São Paulo: �Nada melhor do que a Zoologia para auxiliar o homem a, entendendo a natureza que o cerca, reverenciá-la e chegar à compreensão de si mesmo.�
Quando o ser humano, apesar de sua capacidade intelectual invejável, consegue olhar para os outros animais sem a arrogância que lhe é peculiar, mas com humildade, pode aprender bastante com os mesmos. Por exemplo, é possível comparar estruturas sociais encontradas entre os animais com aquelas observadas nos grupos humanos, permitindo aceitar as diferenças com mais serenidade e de forma menos preconceituosa. Se observarmos a estrutura de uma família de coiotes, notaremos uma incrível semelhança com a estrutura familiar monogâmica dos ocidentais: um casal dominante em torno do qual vivem suas crias e parentes próximos. As zebras lembram a poligamia tão comum entre os orientais: um macho dominante que é seguido pelo seu harém. E o que dizer dos elefantes e das hienas, estrutura social matriarcal na qual as fêmeas cuidam dos mais jovens e transmitem aos mesmos o conhecimento adquirido ao longo das gerações; situação tão comum nos dias de hoje nas mais diversas sociedades.
Também podemos aprender bastante com os animais no que diz respeito à convivência entre as diversas espécies num mesmo local, em um dado momento, e de suas relações com o ambiente onde vivem.
No final da Assembléia o leão foi mencionado e, finalmente, de forma respeitosa, o que me deixou mais tranqüilo.
O tempo passou. A greve acabou e o Presidente Luiz Inácio foi eleito.
E então, recomeçou o meu drama zoo-existencial.
O nome molusco deriva de uma característica comum a todos os representantes desse grupo animal, ou seja, possuírem o corpo mole ( mollis = mole); são os caracóis, ostras, lemas, polvos e lulas, entre outros.
Ter o corpo mole é uma característica dos moluscos enquanto fazer corpo mole diante das denúncias que são feitas contra o seu governo e colaboradores, é uma prática comum ao Presidente.
As lulas são um alimento delicioso, um petisco inigualável. Já o Presidente ... As lulas possuem os pés modificados em tentáculos e podem eliminar tinta escura em situações de perigo para o animal, formando uma nuvem escura que confunde o perseguidor. Já o Presidente, com os seus tentáculos exerce o Poder e, quando se sente ameaçado, não elimina nenhuma tinta escura, mas se utiliza de uma blindagem através da ação dos seus aliados e, como uma ostra, protege-se dentro de uma concha inexpugnável. Entretanto, sendo animais filtradores, as ostras são capazes de concentrar toxinas; como são utilizadas na alimentação humana é fundamental saber onde foram coletadas pois podem estar contaminadas. Aliás, contaminado está o atual governo, pelos escândalos que surgem a cada momento e pela omissão diante dos mesmos, pela falta de liderança ou pela prática do fisiologismo, o que é bastante perigoso para a saúde de todos os brasileiros.
Algumas ostras produzem pérolas de valor comercial; são as chamadas ostras perlíferas. Já as pérolas produzidas pelo governo, como o �Eu não sabia!�, nada têm de valoroso e, invariavelmente, denigrem a imagem do mesmo.