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12/09/2008

Tendências eleitorais em Curitiba

Lafaiete Neves

Saiu a tão esperada pesquisa Datafolha/RPC para prefeito de Curitiba e as reações dos candidatos demonstram o quanto dependem das pesquisas para orientar as campanhas eleitorais.

As reações são as esperadas: os que disparam na frente na preferência do eleitorado procuram conter a euforia do �já ganhou� para não baixar a guarda nos seus comitês eleitorais. Os que estão mal nas pesquisas procuram minimizar o resultados afirmando que as eleições estão apenas começando e que somente a campanha eleitoral é que irá definir os votos dos eleitores.

De uma dura realidade os que estão mal nas pesquisas não podem fugir: o efeito psicológico das mesmas sobre os dirigentes partidários, da campanha, apoiadores e cabos eleitorais.

Ninguém ousou questionar a validade da pesquisa em função da metodologia adotada e testada em várias eleições, mesmos que possam ser alteradas no curso do processo eleitoral.

O candidato à reeleição Beto Richa do PSDB, como já era esperado disparou na frente com 72% das intenções de votos.

Uma grande surpresa foi o baixo índice de intenções de votos da candidata do PT Gleisi Hoffmann com 12%. Foi uma �ducha de água fria� na campanha.

A partir daí há uma queda brusca de intenções de votos abaixo de 3% para os demais candidatos.

Outra grande surpresa foi o empate entre o novato candidato do Psol, estudante de direito da UFPR, Bruno Meirinho e o candidato ungido pelo governador Roberto Requião do PMDB, o ex-Reitor da UFPR, Carlos Moreira Júnior em 1%.

Outro dado relevante é o baixo porcentual de votos brancos e de indecisos, girando em 4% e 6% respectivamente.

Há dois grupos de dados que merecem uma reflexão mais profunda e que nos limites de um artigo podemos tangenciar alguns aspectos relevantes.

No primeiro grupo de dados, temos que compreender que o estatuto da reeleição têm demonstrado desde as eleições para presidentes da República, que o candidato à reeleição já dispara na corrida eleitoral com uma série de vantagens. Uma delas é se utilizar do mandato e da máquina administrativa sem precisar se licenciar para disputar as eleições. No caso do candidato Beto Richa, o mesmo construiu em quatro anos uma política clientelista que envolve sua base de sustentação política na Câmara de Vereadores, cujos parlamentares são seus maiores cabos eleitorais por estarem em tempo integral fazendo campanha para suas reeleições e do prefeito em exercício, que para isto lhes beneficiou com uma série de obras para atender seus eleitorados nos bairros de Curitiba. Para sedimentar a estratégia eleitoral da reeleição o atual prefeito construiu um arco de alianças sem a mínima preocupação programática e ideológica, que vai do PPS até o DEM, cujo único objetivo é ganhar as eleições. Sequer mexeu na composição da chapa, mantendo também a reeleição do vice-prefeito que é do PSB, controlado pelo grupo político de Jaime Lerner.

No segundo grupo de dados, temos que entender como que um candidato desconhecido, estudante de direito da UFPR, Bruno Meirinho, sem estrutura de campanha eleitoral, sem recursos de financiamento de campanha pode empatar com 1% de intenções de voto com o ex-Reitor da UFPR, Carlos Moreira Junior, candidato do governador Roberto Requião que é bom de voto e de pesquisa.

Esse dado da pesquisa gerou uma certa perplexidade nos formadores de opinião, nas escolas, nas igrejas, nas empresas, na Boca Maldita. Mas para quem há muito tempo acompanha as eleições em Curitiba não causa nenhuma perplexidade. Isto por que a disputa não está entre o Moreira e o Meirinho e sim entre o Requião e o Beto Richa. E o Requião mais uma vez errou ao impor seu candidato ao PMDB, causando uma grande insatisfação em Secretário de Estado e parlamentares estaduais e federais do PMDB que tinham pretensão de disputar a prefeitura de Curitiba em melhores condições do que o Ex-Reitor da UFPR, que abandonou seu compromisso com a comunidade universitária da UFPR, para atender a um desejo do Governador. Logo, o Governador terá que recompensá-lo após as eleições com algum cargo no primeiro escalão para ele continuar seu projeto de se eleger para um cargo parlamentar na esfera federal.

O que se trata nessa questão é entender que o governador pode ser bom de voto como já demonstrou em eleições passadas, mas não consegue transferir seu potencial de votos para os seus candidatos, como ocorreu com Maurício Fruet quando foi candidato à prefeito de Curitiba em 1992, Vanhoni-PT, em 2000 e 2004,assim como ocorreu com seu irmão Mauricio Requião, que não conseguiu com todo o apoio do então Senador Requião se reeleger deputado federal em 1998. Como as pesquisas indicam intenção de votos pode haver uma virada por um acidente de percurso para o atual candidato à reeleição Beto Richa, mas a situação está muito difícil para o atual Governador que resolveu ser o grande timoneiro da eleição de Carlos Moreira Junior. Se ganhar será imbatível para as eleições ao Senado em 2010. Se perder poderá encerrar de forma melancólica sua trajetória política.

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Lafaiete Neves é Doutor em Desenvolvimento Econômico pela UFPR e professor do Mestrado em Organizações e Desenvolvimento da UNIFAE.

E-mail: l.lafa@terra.com.br

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