11/04/2008
O VALOR DA CRÍTICA
Prof. Dr. Renato Roxo Coutinho Dutra
Muitos cidadãos brasileiros, homens e mulheres obstinados, não titubearam num passado recente em sacrificar suas vidas, para que seus ideais e convicções se realizassem. E hoje, nós, brasileiros, usufruímos desses sacrifícios, através da liberdade de pensamento, ação, expressão e atuação. E a Universidade é, ou pelo menos deveria ser, o templo dessa liberdade conquistada. Nela convivem a diversidade de pensamentos, o contraditório, e as diferentes formas de se ver o mundo. E, é isso, a alma da Universidade. As discussões em torno dos diferentes pontos de vista ocorrem ininterruptamente e dessas discussões deveriam surgir as melhores soluções para os mais diferentes assuntos. Entretanto, problemas existem...
Quantas vezes temos acompanhado ao longo de nossas vidas, os mandatários do poder, seja na esfera federal, estadual, municipal ou no âmbito da própria Universidade, alguns com o dom da oratória, fazerem belos discursos, acalorados e cheios de retórica, mas que infelizmente são acompanhados por práticas obscenas? Muito idealismo nas palavras e muito oportunismo nas ações.
Fazemos parte de uma parcela de indivíduos que acreditam, conforme expresso em nossa doutrina espiritual, que devemos refletir nas atitudes a essência das nossas palavras. Mas não é isso que observamos no dia-a-dia. E, sem nenhum tipo de constrangimento, exercemos, mais do que o direito, a obrigação de criticarmos. E o que acontece? Se nós não nos deixamos cooptar, se não nos deixamos seduzir pelo canto das sereias, ou se não compactuamos com aquilo de que discordamos, as conseqüências são inevitáveis: revanchismo, retaliação, tentativas de intimidação (como se cidadãos honestos, com princípios e valores sólidos se ajoelhassem, curvassem ou intimidassem diante das mesmas), além de nos criticados florescerem sentimentos como mágoa, ressentimento, rancor, etc.
Por que tanta intolerância com aqueles que divergem, já que também detêm uma parcela da verdade? Por que esta recusa intransigente de aceitar a crítica? Provavelmente porque esqueceram as lições de Santo Agostinho: �aqueles que me bajulam me corrompem, e aqueles que me criticam me elevam�. Deixar o combustível que alimenta a fogueira das vaidades de lado e aceitar a crítica, refletindo sobre a mesma, nos faz crescer tanto profissionalmente como espiritualmente. Caso contrário, morreremos enclausurados na nossa arrogância e ignorância!
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Prof. Dr. Renato Roxo Coutinho Dutra � Setor Escola Técnica da Universidade Federal do Paraná