29/02/2008
A GRADUAÇÃO NAS UNIVERSIDADES BRASILEIRAS
Clóvis Pereira da Silva
O descaso por parte das autoridades competentes que é submetido o Sistema Nacional de Graduação � SNG faz parte de um problema muito mais complexo, que é a ausência de políticas públicas voltadas para a educação como um todo, aliada à incompetência de gestão nos negócios da educação e à falta de um bom e inteligente projeto para o Sistema Nacional de Educação � SNE. Este não é um problema novo, mas que agora, a exemplo do aquecimento global, atingiu um ponto crítico na escala de tolerância da parte esclarecida da população brasileira.
O reconhecimento por parte do governo federal da prioridade nacional que o SNG deve ter é de suma importância. Para tal o país já dispõe de um bom diagnóstico, haja vista a proliferação desordenada de IES privadas que ofertam cursos de graduação de má qualidade que graduam profissionais de péssima qualidade. Sabemos que o sistema criado e executado pelo INEP/MEC para avaliação de cursos de graduação tem sido inócuo. O sistema, como noticia a mídia nacional, está eivado de corrupção. e. |
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Em resumo, no SNG a exceção está nas instituições federais e estaduais, as públicas, que têm ofertado cursos de graduação de boa qualidade, que possuem docentes experientes e qualificados, que fazem ensino de boa qualidade, pesquisa e extensão à comunidad
Neste contexto não favorável ao Brasil no mundo globalizado e altamente competitivo, há a necessidade premente de ser elaborado e executado um bom e inteligente Projeto para o Sistema Nacional de Graduação, que deverá estar ligado a um bom Projeto para a Educação Básica, pois como sabemos esta se encontra em estado precário. Na Educação Básica há quantidade de cursos sem qualidade conforme diagnosticou a Academia Brasileira de Ciências em documento que foi divulgado em novembro de 2007 e intitulado: O Ensino de Ciências e a Educação Básica: Propostas Para Superar a Crise .
Preocupam-nos em particular os licenciados em Matemática graduados por IES privadas e que estão atuando no mercado de trabalho. O estrago com a deficiência de conteúdos em suas formações já está feito. A solução para remediar a má formação de conteúdo destes profissionais, que são professores essenciais para a formação da juventude brasileira, está em suas reciclagens com a oferta em maior quantidade de cursos de pós-graduação stricto sensu por parte das universidades públicas (federais e estaduais). O Mestrado Profissional instituído pela CAPES, cf. Portaria nº 80, de 16/12/1998, é o caminho que deve ser escolhido para minimizar o grave problema existente e decorrente da má formação técnica da grande maioria dos licenciados em Matemática. O Mestrado Profissional representa um salto qualitativo na formação do profissional brasileiro que está atuando há vários anos no mercado de trabalho. As universidades federais e estaduais devem ofertar, gratuitamente, um maior número de cursos Mestrado Profissional em Ciências e Matemática, bem como em outras áreas do conhecimento.
A parte esclarecida da sociedade brasileira deve exigir esta ação da parte dos gestores das universidades públicas (federais e estaduais), pois o instrumento legal já existe. Obviamente que esta nossa preocupação não é exclusiva para os licenciados em Matemática, mas também o é para outros profissionais com má formação técnica. Os brasileiros têm o direito de desfrutar de prosperidade completa. Os homens e as mulheres de bem do país devem reagir nesta direção.
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Clóvis Pereira da Silva - Docente aposentado pelo Departamento de Matemática da UFPR; Vice-Presidente da SBHMat; Consultor da CAPES; Membro da Atual Diretoria da APUFPR.