07/12/2007
A UNIVERSIDADE NO BRASIL: ESSENCIALIDADE
Clóvis Pereira da Silva
No mundo globalizado atual o que diferencia e diferenciará no futuro as relações entre os países desenvolvidos, é e será, o uso do conhecimento pelas nações que formam este bloco. Sabemos que nos países desenvolvidos a universidade pública é, e continuará sendo o principal centro para formação de recursos humanos qualificados onde se faz, e se fará, ciência na fronteira do conhecimento humano, sendo também o principal centro de idéias que alimenta, e continuará alimentando, o desenvolvimento inovador industrial do país onde esta universidade se encontra.
No Brasil construir e manter universidades públicas com autonomia de decisão sobre seus destinos significa investir recursos públicos de modo inteligente em seus recursos humanos, em educação, ciência e tecnologia que são elementos capazes de apoiar com sucesso os planos estratégicos de desenvolvimento inovador industrial, e assim garantir boa qualidade de vida ao povo brasileiro. A sociedade brasileira não tem percebido este fato.
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A função pública da universidade brasileira com o livre exercício da docência, da pesquisa e da extensão à comunidade, deverá ser mantida e ampliada. Atualmente a qualidade do ensino de graduação nas universidades públicas brasileiras está sendo prejudicada pela existência de uma estrutura obsoleta, que não premia a qualidade, nem atende as necessidades do mercado e tampouco contempla a expansão do número de vagas ofertadas.
Há atualmente uma confusa política universitária por parte do governo federal que conduz a gastar mal o dinheiro público, e a não atender as reivindicações salariais dos docentes e dos técnicos - administrativos das universidades federais que estão com salários degradados. Para o futuro imediato, acrescentemos ao atual contexto acadêmico das universidades públicas um sério complicador que se chama REUNI.
Para conseguir adesão a este nefasto projeto, o governo federal tem sido apoiado por alguns gestores das universidades federais. Estes gestores são pessoas não patriotas, com desprezo pela ética acadêmica e preocupadas apenas com vantagens pessoais quer no plano político partidário, aí mirando futuras candidaturas para cargos eletivos, quer no plano de obtenção de vantagens pecuniárias.
A elaboração de um projeto para manter a qualidade e o valor da universidade pública brasileira, cuja inserção no ambiente da pesquisa científica da fronteira do conhecimento humano mundial deve ser preservada, não pode prescindir da análise dos problemas financeiros e estruturais do país. Uma nova política acadêmica para a universidade pública brasileira requer estratégia e planejamento, além de uma mudança do campo político onde ela é estruturada, passando obviamente por radicais mudanças, por exemplo, na escolha dos gestores universitários.
É chegada à hora de não mais serem admitidos gestores medianos e atrelados a partidos políticos. Pessoas não patriotas, não éticas, que usam a universidade pública para fins pessoais como se esta fosse um bem de sua propriedade. No caso particular da UFPR devemos estar atentos, a partir da APUFPR, para inserirmos novos parâmetros nas regras que balizarão, de agora em diante, o processo de escolha de futuros reitores, evitando que aventureiros políticos partidários sejam eleitos reitores.
As pessoas patriotas e de bem desse imenso país, devem reagir de modo contrário à destruição da universidade pública brasileira. Destruição esta pretendida e fomentada pelo governo federal. Lembremo-nos que o bem estar e a felicidade do povo brasileiro têm primazia sobre o bem estar de alguns poucos cidadãos.
Clóvis Pereira da Silva é docente aposentado pelo Departamento de Matemática da UFPR; Vice-Presidente da SBHMat; Consultor da CAPES; Membro da Atual Diretoria da APUFPR.