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14/09/2007

A QUEM INTERESSA A DESQUALIFICAÇÃO DO MOVIMENTO DOCENTE?


Profa. Sônia Guariza Miranda

O jornal O Estado do Paraná, através de reportagem denominada “Professores das Federais fazem protesto” assinada por Cíntia Vegas, publicada em 14/09/07 (p. 32) traz a seguinte informação:

Professores de universidades públicas federais promoveram ontem um dia de paralisação e protestos. Segundo a professora Sônia Guariza Miranda a mobilização é contra a reforma universitária e aumento do número de alunos nas universidades federais. (P.32).

Na página 13 do mesmo jornal a notícia é igualmente repetida. Para qualquer leitor que leia esta notícia a primeira conclusão é óbvia: os professores das Universidades Federais não desejam a democratização do acesso de novos alunos às universidades, e por isso fazem paralização. A segunda conclusão óbvia que ocorrerá ao leitor é que a Reforma Universitária é algo que viabilizará o aumento do número de alunos nas universidades federais, e os professores são contra isso.

É... as aparências enganam, mas não por muito tempo, é só refletir um pouco.

Por que uma professora que tem feito uma luta muito aberta pela qualidade da Educação Pública, escrevendo textos para a comunidade acadêmica sobre os previsíveis efeitos a médio e longo prazos trazidos pela concepção de universidade de ensino contida no REUNI- Programa de Apoio à Reestruturação e Expansão das Universidades Federais, justamente quando é procurada pela imprensa resolve comprometer toda esta luta fazendo uma declaração tão destituída de sentido?

A resposta é mais óbvia ainda ....as declarações da professora entrevistada foram distorcidas, apesar de recebido nas dependências da UFPR a referida repórter por ter sido solicitada a faze-lo por esta mesma repórter que afirmou ter sido enviada pela APFPR- Associação de Professores da UFPR, à qual a professora é filiada, e neste contato ter a professora disponibilizado o material informativo distribuído pelo ANDES-Sindicato Nacional para esclarecer a comunidade as razões da paralisação, material que nem ao menos é citado pela repórter.

Apesar da cuidadosa e farta informação prestada pela professora à citada repórter, sobre as questões que desagradam à categoria docente, referentes à Reforma Universitária em sua versão REUNI, notadamente quanto aos aspectos de precarização dos cursos de graduação que estão embutidas no Decreto 6096/2007do governo federal que instituiu tal programa, a reportagem “opta” por uma grosseira distorção. Quais as razões desta distorção?

1ª hipótese: A repórter não anotou de forma suficientemente clara as informações prestadas durante a entrevista, e ao chegar na redação, não lembrando mais dos detalhes, inadvertidamente distorceu as informações, criando uma informação incoerente: “a mobilização (dos professores)...é contra o aumento no número de alunos nas universidades federais”. Bem, neste caso a administração do jornal deve tomar mais cuidado com seus profissionais, qualificando-os de forma a não distorcer a realidade, pois, em caso contrário em breve tempo seus leitores passarão a não mais atribuir credibilidade às notícias que veicula.

2ª hipótese: a repórter já saiu da redação com a pauta editorial definida e não passou de mero instrumento de outros determinantes voltados à desqualificação do movimento docente através da desqualificação da entrevistada. Neste caso a repórter é quem deve tomar cuidado, pois está sendo manipulada para “preparar” notícias, deslocando-se para entrevistar pessoas sobre as quais já se tem previamente a informação preparada para publicar. Este é o caso em que ALTHUSSER denomina a imprensa de aparelho ideológico. Em casos assim, a jovem repórter deve saber que o trabalhador da imprensa fica refém de um conjunto de interesses e que em breve tempo sua carreira e credibilidade estarão irremediavelmente comprometidas.

Bem as duas hipóteses são bastante problemáticas e evidenciam contextos e práticas inconsistentes, pois não consideram que a pessoa envolvida nesta distorção, a professora entrevistada, não pretende deixar os fatos sem um esclarecimento e buscará com certeza os meios legais que dispõe para esclarecer os fatos e exigir retratação e direito de exposição no mesmo veículo que distorceu suas informações para poder expor aquilo que realmente expressou durante a entrevista:.

Estamos muito inclinados a acreditar na 2ª hipótese, ainda que o grau de incompetência que está implícito na 1ª hipótese deva merecer esforços para sua resolução, mas implica em retomar estudos aprofundados na formação jornalística, com a devida concentração nas disciplinas ligadas à ética profissional, o que pode levar vários anos.

Na 2ª hipótese para a qual nos inclinamos a acreditar, a questão crucial que fica á: a quem interessa desqualificar o movimento docente e a referida professora? É claro que temos muitas respostas....é só pensar.

No caso da professora que se buscou desqualificar atribuindo a ela uma declaração totalmente incoerente, buscando-se também lhe trazer o desagrado de seus pares que lutam contra a reforma universitária ido e suas declaraçidade científvos.om uma certeza: a de que continuaremos a luta para queçemposta pelo governo federal, e por uma concepção de universidades socialmente referenciada, a ação de distorção de suas declarações resultou inútil, pois felizmente a referida professora nunca deixou dúvidas sobre suas opções de luta por uma educação de qualidade, em todos os níveis. Como também nunca se privou de defender suas crenças abertamente, resultando inútil a tentativa de desqualificá-la entre seus pares com as mesmas convicções.

No caso da tentativa de desqualificar o movimento docente e a legitimidade de sua luta por uma Educação Superior pública de qualidade, a notícia do jornal provavelmente causará boas risadas, pois os que imaginam estarem anônimos mostraram mais do que nunca a que vieram e como encetam seus jogos...sorrateiramente.

Aos que acreditaram nesta notícia desencontrada... nosso lamento por sua ingenuidade, mas com uma certeza: a de que continuaremos a luta para que a eles e aos seus filhos esteja garantido o direito de receberem uma Educação Superior pública de qualidade ...apesar dos jogos obscuros dos que atuam com outros objetivos.

 

 

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