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31/08/2007

Considerações a capacidade de ser um homem público: uma tentativa de interlocução com a UFPR e seu Reitor

 

* Profa. Dra. Vera Lúcia Andrade Bahiense Pavanello

Foram, no mínimo, lamentáveis as declarações do Magnífico Reitor da UFPR, Prof. Dr. Carlos Augusto Moreira Junior hoje pela manhã no Jornal "Gazeta do Povo", à sua página 3. Faço questão de ressaltar o pronome de tratamento e a titulação do Sr. Moreira para que nos obriguemos a lançar um olhar absolutamente crítico à atuação da pessoa que ocupa lugar de extrema importância na Universidade e na comunidade e que quer, inclusive, ser o chefe do executivo municipal de Curitiba, um dos principais centros de negócio, cultura e educação do país.

A Universidade é um espaço altamente sedimentado com regras próprias, tanto as regimentais e estatutárias, quanto às relativas à moral, à ética e, principalmente, às que configuram o espaço acadêmico. Dentre elas, ressalto o respeito à diversidade e à pluralidade de idéias e à garantia dos direitos individuais e coletivos.

A Gazeta do Povo traz uma matéria séria, bem feita e altamente fundamentada, trazendo a público a legitima voz de membros da Assembléia Legislativa que têm, ressalte-se, o dever de zelar pelos direitos dos cidadãos e questionar a qualquer tempo o poder público quando na dúvida sobre suas atividades, como parece estar sendo feito agora em relação ao Campus Litoral da UFPR, uma unidade desta centenária Instituição e não uma nova Instituição , como alguns podem erroneamente imaginar.

Como o Magnífico Reitor reage à ação dos deputados quando chamado a dar explicações? Acusando!!!! Que pena, Prof. Moreira, que pena...

  • Por que não dar à opinião pública informações claras sobre o que está acontecendo no Campus em questão?
  • Por que não encarar a realidade de que existem irregularidades, sim, tais como a não aprovação de nenhum curso de graduação do Campus pelo CEPE?
  • Por que mandar procurar no MEC portarias e autorizações que não existem? Lamentável, Magnífico...
  • Por que não informar que há uma comissão do COUN justamente auditando todas as possíveis irregularidades do Campus?
  • Por que não informar aos alunos que seus cursos jamais foram aprovados e que nem sequer possuem grade curricular?
  • Por que não informar aos pais dos alunos que o processo de Reconhecimento destes cursos, e que legitimarão seus diplomas, terá de ser ainda planejado, uma vez que não se reconhece o que não se aprovou anteriormente?

 

Tantos porquês tão fáceis de serem respondidos por Vossa Magnificência.....Quanta omissão.....

Espero que não seja essa a postura e a prática de que pretende governar Curitiba. Já imaginou o Prefeito da cidade indo aos jornais dizer que seus cidadãos são mentirosos sem nem ao menos nominá-los? Já imaginou o Prefeito de Curitiba apoiar a irregularidade na administração pública e dizer a todos que está tudo bem, mandando seus cidadãos irem aos arquivos da Prefeitura procurar documentos que não existem? Que vergonha para o Paraná!

Como um homem público, um médico, um doutor, um Reitor pode afirmar que professores concursados e legitimamente empossados, nas palavras dele "essas pessoas", "não interessam à Universidade"? Quem são o Reitor e o Diretor do Campus Litoral (cuja nomeação nunca foi publicada em Diário Oficial ) para conjecturarem e até decidirem quem interessa ou não interessa à UFPR? Onde ficam as regras da Instituição? Onde fica o respeito à Universidade? Onde ficará o Senhor, Reitor, quando não mais ocupar o cargo? Estará à mercê de quem o ache interessante ou desinteressante para a UFPR?

Será que o interessante é ficar calado diante de irregularidades? É com essa postura que formaremos nossos alunos? Se existem professores ( e eu sou um deles) que estão processando a Universidade através de ação na Justiça Federal (e não o contrário Senhor Reitor, não o contrário), para que se iniba o ilícito no Campus Litoral, isso não faz parte do processo democrático? Isso me torna desinteressante para a UFPR? Como o Senhor prova que quebrei meu regime de dedicação exclusiva? Em quais outras universidades eu dou aulas? Mas respostas a serem dadas, Magnífico Reitor, mas não a mim e sim à Justiça e aos Conselhos Superiores da Universidade, todos, com certeza, bastante interessantes à Instituição.

Lembre-se, Magnífico, o Senhor foi eleito para ocupar um cargo, administrar a UFPR a partir de legislação específica, resguardar e fazer valer o direito de todos os seus servidores, pois é isso que nós, ou seja, eu, o Senhor, o Diretor, a servente... somos servidores públicos . Não somos interessantes ou desinteressantes, não somos donos da Universidade, não somos patrão e empregado. Hoje o Senhor é Reitor, amanhã volta à condição de professor, depois, é Prefeito de Curitiba. Em qualquer um dos casos um homem público, que em qualquer situação, servirá ao público. É preciso ser capaz de ser um homem público. Ser além de magnífico, magnânimo. Ser além de chefe, orientador. Ser além de Reitor, Prefeito, Deputado, Senador...um homem que respeite os outros homens ampla e irrestritamente para muito além do falso poder que nos cega muitas vezes quando nos sentamos em uma ou outra cadeira. Um homem público faz história, o ocupante de um cargo é apagado por ela.

 

 

* Profa. Dra. Vera Lúcia Andrade Bahiense Pavanello

Matricula 188182

e-mail : vera.bahiense@gmail.com

 

 

 

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