27/07/2007
Eleições em Curitiba
Por Lafaiete Neves
As eleições para prefeito de Curitiba em 2008, já apresentam uma grande movimentação dos partidos que entrarão na disputa eleitoral.
Há o candidato à reeleição pelo PSDB, o prefeito Beto Richa que deve ter o apoio do DEM (ex-PFL), do PDT e do PSB de Jaime Lerner. Sua estratégia de campanha está centrada em consolidar sua popularidade, já que as últimas pesquisas de opinião o colocam folgadamente na dianteira da corrida eleitoral deixando bem atrás todos os seus possíveis concorrentes. Um forte aliado do atual prefeito é o deputado federal Gustavo Fruet do PSDB, que conseguiu se firmar na capital com uma expressiva votação nas últimas eleições para deputado federal.
A popularidade de Beto Richa se deve a sua política de tocador de obras em toda a cidade. Do centro, com a reforma das calçadas, recapeamento das ruas centrais, à periferia, com abertura de vias para dar vasão ao aumento de milhares de novos veículos em circulação. São obras que aparecem aos olhos dos eleitores. Aparecem bem mais que os canos de água e esgoto que a Sanepar coloca em baixo da terra. Há ainda a fixação da imagem de bom administrador no imaginário do eleitor com uma eficiente política de propaganda e marketing.
A oposição busca construir uma estratégia eleitoral que leve a eleição para o segundo turno para se unir contra o candidato Beto Richa. A principal liderança de oposição ao atual prefeito é o Governador Roberto Requião, ex-prefeito de Curitiba. Sua estratégia eleitoral é bem conhecida na sua trajetória política. Desde a aliança com forças políticas importantes como foi o apoio do então Governador José Richa nas eleições para prefeito de Curitiba em 1985, até a política de desconstrução dessas alianças e dos adversários políticos usando para isso de todas as armas possíveis. Foi assim que ele se projetou na cena política de Curitiba e do Paraná. Em Curitiba no ano de 1985, desconstruiu a imagem de Jaime Lerner ao associá-lo aos empresários da especulação imobiliária e do transporte coletivo. Quem não se lembra do panfleto: "Mãos ao alto a tarifa é um assalto". Essa estratégia deu certo e ele saiu vitoriosos naquelas eleições.
Na eleição para Governador em 1989, desconstruiu a imagem do seu ex-aliado José Richa, apresentando o contracheque da aposentadoria do ex-governador. Essa mesma prática de desconstrução fez com Álvaro Dias e Osmar Dias, também seus antigos aliados. Ao mesmo tempo coopta antigos adversários para o seu governo com fez com Rafael Grecca de Macedo e Reinhold Stephanes da antiga Arena e PDS, partidos da ditadura militar. E isso ele faz para fragilizar seus adversários políticos. Numa sociedade onde não há partidos políticos, os líderes carismáticos e populistas cooptam grupos e lideranças, desde a República até as províncias.
Para Roberto Requião as alianças são conjunturais e são feitas à medida dos seus interesses e direção. Ele elege seus adversários e aliados em cada momento eleitoral e como gosta de afirmar que é gramsciano sempre quer ter a hegemonia do processo.
Pela estratégia do atual governador há duas linhas de ação. Uma é o inimigo político a ser destruído, o atual prefeito, e para isso utiliza desde mecanismos de retenção de repasses financeiros ao Município de Curitiba, até buscar envolver o prefeito da capital com possíveis ilícitos cometidos pelo irmão do prefeito quando atuou na equipe do ex-governador Jaime Lerner. Uma outra linha de ação política é a política de alianças. Essa política já está montada desde a sua eleição para o Governo do Estado em 2006. Os partidos que o apoiaram no primeiro e segundo turno já participam do seu governo. É o caso do PT, o Partido Verde e parte do PSDB.
A estratégia para levar a eleição para o segundo turno é lançar um candidato pelo PMDB. No momento ele permite que existam dois candidatos que irão disputar a convenção do PMDB Municipal: Rafael Grecca de Macedo e o atual Reitor da UFPR, Carlos Moreira Junior que tem o apoio de Requião para vencer a convenção. Esse último muito articulado com o PT, o que dá para deduzir que é uma candidatura acertada entre PT e PMDB. Mesmo não indo para o segundo turno força a existência do segundo turno, favorecendo assim as duas legendas e a estratégia de Requião para derrotar Beto Richa. Rafael Grecca correrá por fora e deve perder a convenção. Dentro dessa estratégia eleitoral, no segundo turno o PMDB apóia a candidata única do PT Gleici Hoffmann que tem condições de chegar ao segundo para enfrentar Beto Richa.
Ao eleitorado como sempre, cabe continuar aguardando o desenrolar dos fatos como mero espectador a ser chamado a aplaudir o espetáculo já montado.
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Lafaiete Neves é doutor em Economia pela UFPR e professor do Mestrado em Organizações e Desenvolvimento da UNIFAE- Centro Universitário Franciscano. E-mail: l.lafa@terra.com.br