28/06/2007
Quais são as suas Virtudes?
Por Gelson João Tesser*
Liderar é uma ciência e uma arte, pois quem de fato é líder estará revestido da dimensão fenomenológica do "saber ouvir" como uma das virtudes e habilidades mais importantes da história da liderança da humanidade. Na obra "O Monge e o Executivo - Uma História sobre a Essência da Liderança" de James C. Hunter são destacadas oito principais virtudes de um verdadeiro líder.
HUNTER, 2004.
1 |
Paciência |
Mostrar autocontrole
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2 |
Bondade |
Dar atenção, apreciação e incentivo
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3 |
Humildade |
Ser autentico e sem pretensão ou arrogância
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4 |
Respeito |
Tratar os outros como pessoas importantes
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5 |
Abnegação |
Satisfazer as necessidades dos outros
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6 |
Perdão |
Desistir de ressentimento quando prejudicado
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7 |
Honestidade |
Ser livre de engano
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8 |
Compromisso |
Sustentar suas escolhas
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Resultados:
Serviço e Sacrifício |
Por de lado suas vontades e necessidades; buscar o maior bem para os outros
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Aristóteles na obra "Ética a Nicômaco" ressalta a virtude da sabedoria e da magnanimidade como necessária para um líder, assim diz que:
A palavra "sabedoria" é usada nas artes para assinalar os mestres mais perfeitos em suas respectivas artes.
A sabedoria, portanto, é a mais perfeita das formas de conhecimento. Conseqüentemente, o sábio não deve apenas saber o que decorre dos primeiros princípios; ele deve também ter uma concepção verdadeira acerca dos próprios primeiros princípios. Logo, a sabedoria deve ser uma combinação da inteligência com o conhecimento - um conhecimento científico consumado das coisas mais sublimes.
Com efeito, seria absurdo pensar que a ciência política, ou o discernimento é o melhor conhecimento, já que o homem não é o que há de melhor no universo.
O discernimento, por outro lado, relaciona-se com as ações humanas e coisas acerca das quais é possível deliberar; de fato, dizemos que deliberar bem é acima de tudo a função das pessoas de discernimento, mas ninguém delibera a respeito de coisas invariáveis, ou de coisas cuja finalidade não seja um bem que possamos atingir mediante a ação. As pessoas boas de um modo geral são as capazes de visar calculadamente ao que há de melhor para as criaturas humanas nas coisas passíveis de ser atingidas mediante a ação.
Considera-se magnânima a pessoa que aspira a grandes coisas e está à altura delas, pois quem aspira a grandes coisas sem estar a altura delas é insensato, mas nenhuma pessoa dotada de excelência moral é insensata ou tola. Então, as pessoas magnânimas são aquelas que descrevemos, pois quem tem poucos méritos e tem poucas pretensões é moderado, e não magnânimo; com efeito, a magnanimidade pressupõe grandeza, da mesma forma que a beleza pressupõe um corpo bem proporcionado, e poucas pessoas podem ser graciosas e bem proporcionadas sem ser belas. Por outro lado, as pessoas que aspiram a grandes coisas e não estão a altura delas são pretensiosas, embora nem todas as pessoas que aspiram a mais do que merecem sejam pretensiosas. As pessoas que aspiram a menos do que realmente merecem são pusilâmines quer seus méritos sejam grandes ou moderados, quer seus méritos sejam pequenos, mas suas aspirações sejam ainda menores, e no caso das pessoas cujos méritos são grandes a humildade parecerá ainda mais incabível; de fato, que fariam elas se os méritos fossem menores? As pessoas magnânimas, então, estão numa situação extrema em relação à grandeza de suas pretensões, mas num meio termo em relação a justiça de tais pretensões, pois suas pretensões são compatíveis com seus méritos, enquanto as outras pessoas pecam por excesso ou por falta.
Norberto Bobbio na obra "Elogio da Serenidade e outros escritos Morais", diz que a serenidade é uma virtude e uma disposição de espírito que resplandece na presença do outro para vencer o mal dentro de si.
Acima de tudo, a serenidade é o contrário da arrogância, entendida como opinião exagerada sobre os próprios méritos, que justifica a prepotência. O indivíduo sereno não tem grande opinião sobre si mesmo, não porque se desestime, mas porque é mais propenso a acreditar na miséria que na grandeza do homem, e se vê como um homem igual a todos os demais. Com maior razão, a serenidade é contrária a insolência, que é arrogância ostentada. O indivíduo sereno não ostenta nada, nem sequer a própria serenidade: a ostentação, ou seja, o exibir vistosamente, descaradamente, descaradamente as próprias virtudes, é por si só um vício. A virtude ostentada converte-se em seu contrário. Quem ostenta a própria caridade ressente-se da falta de caridade. Quem ostenta a própria inteligência é geralmente um estúpido. Com mais razão ainda, a serenidade é o contrário da prepotência. Digo "com mais razão" porque a prepotência é ainda pior do que a insolência. A prepotência é abuso de potencia, não só ostentada, mas concretamente exercida. O insolente exibe sua potencia, o poder que tem de te esmagar do mesmo modo que se esmaga uma mosca com o dedo ou o verme com o pé. O prepotente pratica esta potencia por meio de todo tipo de abusos e excessos, de atos de domínio arbitrário e, quando necessário, cruel. O sereno é ao contrário, aquele que "deixa o outro ser o que ele é", ainda quando o outro é o arrogante, o insolente, o prepotente. Não entra em contato com os outros com o propósito de competir, de criar conflito e ao afinal de vencer. Está completamente fora do espírito da competição, da concorrência, da rivalidade, e, portanto também da vitória. Na luta pela vida, ele é de fato o eterno perdedor. A imagem que tem do mundo e da história, do único mundo e da única história em que desejaria viver, é a de um mundo e de uma história em que não há nem vencidos nem vencedores, e isto porque não existem disputas pelo primado, nem lutas pelo poder, nem competições pela riqueza, em suma, faltam as próprias condições que permitem a divisão dos homens em vencedores e vencidos .
ARISTÓTELES, 2004
BOBBIO, 2002
REFERÊNCIAS:
ARISTÓTELES . Ética a Nicômaco . 4ª. Ed. Brasília: Ed. Da UnB, 2001, p. 76, 118 e 119.
BOBBIO, Norberto. Elogio da Serenidade. E outros escritos morais . São Paulo: Editora Unesp, 2002, p. 39 e 40.
HUNTER, James C. O Monge e o Executivo: Uma História Sobre a Essência da Liderança . Rio de janeiro: Sextante, 2004, p. 96.
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*Gelson@ufpr.br
Diretor de Imprensa APUFPR-SSind - Gestão 2007-2009. Professor de Filosofia da Educação/UFPR e Doutor em Educação pela UNICAMP.
ARISTÓTELES, 2004
BOBBIO, 2002