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28/06/2007

MOZART, O Gênio da Música

Por Hélio Germiniani*

 

Wolfgang Amadeus Mozart, nasceu em 27 de janeiro de 1756 às 20 horas no número 9 da rua Getreidegasse, em Salzburg, Áustria portanto há 251 anos, tendo sido batizado um dia depois do nascimento, na catedral de São Ruperto, com o nome latino de Johannes Chrysostomus Wolfgangus Theophilus Mozart. No caso de Mozart, ele passou a vida a mudar a forma de escrever seu nome. Os dois primeiros nomes do batismo recordam que seu dia de nascimento, 27 de janeiro era o dia de São João Crisóstomo. Wolfgangus era o nome de seu avô materno. Teophilus era o nome de seu padrinho, o mercador Teophilus Pergmayr. Teophilus significa amigo de Deus. Teos = Deus e philus = amigo. Amadeus é a versão latina de Teophilus. Mozart, em várias ocasiões, usou a forma Amadeus, Amadeo que é a forma italiana, Gottlieb correspondente à forma alemã e Amedé equivalente à forma francesa.

Os pais de Mozart foram Leopold ( 1719 - 1787 ) também compositor e violinista competente e Anna Maria Pertl ( 1720 - 1778 ) .

Dos sete filhos do casal Mozart, denominado de "o mais belo casal de Salzburg" somente dois sobreviveram Maria Anna (1751- 1778), carinhosamente denominada de Nannerl e Wolfgang Amadeus (1756 - 1791).

A música rodeava a família Mozart. Seu pai, Leopold escreveu um livro intitulado "Ensaio sobre o ensino do violino" publicado em julho de 1756 e que se tornou um método muito utilizado pelos violinistas da época. A última edição data de 1948.

Nanerl começou a aprender cravo com o pai aos sete anos de idade. Mozart esperava a lição da irmã terminar para ficar horas a fio ao cravo tocando terças. Aos 5 anos de idade, Mozart em meia hora aprendeu a tocar um Scherzo de Wagenseil.

Mozart foi um compositor prolífico, deixando 626 composições catalogadas por Ludwig Köchel e designadas pela letra K (de Köchel) ou pelas letras Kv (de Köchel verzeichnis ou índice Köchel). Sua produção foi muito variada incluindo sinfonias, óperas, concertos, serenatas, música de câmara, música instrumental, música maçônica, constante de coros masculinos e música sacra ressaltando-se o Réquiem.

Na época em que viveu Mozart, os músicos eram considerados serviçais como os lacaios e contra essa atitude Mozart se insurgiu, colocando em suas óperas personagens que demonstravam sua revolta.

Assim, em sua ópera "Don Giovanni", Leporelo o lacaio de Don Giovanni, no início do primeiro ato em sua ária declara "noite e dia trabalhar, sem poder descansar, chuva e vento suportar... quero atuar como o gentilhomem e não quero mais servir. Quero estar lá dentro com a bela e não servir de sentinela". Esta era uma revolta contra a submissão. Na ópera "Le Nozze di Figaro", o barbeiro de Sevilha se preparava para casar-se com Rosina. Ao saber que o Conde de Almaviva em cujo castelo, tanto Fígaro com Rosina são serviçais queria utilizar-se do direito feudal de se deitar com a noiva, Mozart coloca na boca de Fígaro sua revolta contra o sistema na ária "Se vuol ballare signor contino il guitarrino vi suoneró" ou seja, "se queres bailar, senhor condezinho, a guitarra lhe soarei".

Peter Schaffer escreveu a peça "Amadeus" que retrata a convivência de Mozart com Antonio Salieri (1750 - 1825), passando aos menos esclarecidos uma falsa imagem de Salieri, como invejoso do sucesso de Mozart, o que também se evidencia no filme de Millos Formann sobre o mesmo tema "Amadeus".

Na realidade, Salieri foi um grande compositor e kappelmeister (mestre de capela) da corte vienense, sendo muito estimado; Mozart com sua irreverência desagradava aos cortesãos e nunca seria indicado como mestre de capela. A ópera "Europa Riconosciuta" de Antonio Salieri foi a obra inaugural do Teatro Alla Scalla de Milão, em 3 de agosto de 1778 o que demonstra seu grande prestígio em toda a Europa. Mozart foi um grande compositor, mas um péssimo político e não sabia gerir o dinheiro que auferia com suas composições, concertos e aulas. Estava sempre a dever a muitos.

Mozart freqüentou três lojas maçônicas de Viena e, em sua ópera "Die zauberflötte" (A Flauta Mágica) com libreto de Schikaneder, descreve, com riqueza de detalhes, a iniciação maçônica. Assim, por exemplo, a abertura consta em seu inicio, de repetição de um tema por 3 vezes. O templo onde Sarastro domina, tem 3 portas, a saber, a porta da razão, a porta da sabedoria e a porta da natureza. Da mesma forma, três são os jovens que indicam o caminho para Tamino e Papageno, três são as provas para a entrada de Tamino e Pamina no templo: a prova do silêncio, a prova do fogo e a prova da água. O número três é um dos números importantes para a maçonaria. Mozart pertenceu a três lojas maçônicas: Zur Wohlthätigkeit (A Esperança), Zur wahren Eintracht (A Verdadeira Concórdia) e Zur gekrönten Hoffnung (A Esperança Coroada), todas três em Viena. Para homenagear a posse de Ignaz von Born como Grão Mestre da Loja "A Esperança Coroada", Mozart escreveu uma cantata denominada "A Alegria do Maçon" (Die Maurerfreude).

Mozart era amigo de Schikaneder um ator que atuava num teatro, o Burgteater, nos arrabaldes de Viena. Schikaneder escreveu o libreto da Flauta mágica e foi o primeiro ator a representar Papageno, o caçador de pássaros quando a ópera foi apresentada pela primeira vez, tendo Mozart regido a orquestra. Nesta época, a Maçonaria não era bem vista pela corte e a apresentação da ópera pode ter contribuído para melhorar o prestigio da maçonaria entre os vienenses.

Mozart era muito brincalhão, irreverente e boêmio.

Quando criança foi muito doentio, tendo sofrido de várias infecções próprias da infância, como sarampo, varicela, escarlatina, febre reumática e glomérulo-nefrite aguda que se cronificou e, muito provavelmente, determinou sua morte antes de completar trinta e cinco anos de idade.

Entre os libretistas de suas óperas, destacou-se Lorenzo Da Ponte, grande poeta e escritor italiano que escreveu os libretos da trilogia "Don Giovanni", "Le Nozze di Figaro" e "Cosi fan Tutte". Após a morte de Mozart, Da Ponte mudou-se para Nova Iorque onde lecionou literatura italiana na Columbia University até sua morte.

Salieri auxiliou Constanze, viúva de Mozart a vender as composições do genial músico para prover seu sustento. Este gesto revela o bom caráter de Salieri.

A última composição de Mozart o "Réquiem", foi encomendada pelo nobre vienense Walseg - Stupach em memória de sua falecida esposa. A obra ficou inconclusa e foi terminada por seu aluno Franz Xaver Süssmayr.

Mozart faleceu, muito provavelmente, de insuficiência renal crônica, a uma hora da madrugada de 5 de dezembro de 1791, tendo sido enterrado em uma vala comum no cemitério de Saint Marx, em Viena. Chovia muito e o enterro foi acompanhado por poucos amigos.

Curta vida, profícua vida, tumultuada vida, incompreendida vida teve o gênio da música que homenageio nesse momento com grande emoção!

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*Hélio Germiniani é Médico Cardiologista, Diretor Administrativo da Associação dos Professores da Universidade Federal do Paraná e Vice-Presidente da Academia Paranaense de Medicina, da qual é Fundador. É Professor Adjunto Aposentado da Universidade Federal do Paraná e Diretor Administrativo da APUFPR-SSind - Gestão 2007-2009.

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