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30/05/2007

Magnífico ganhamos!

 

Ao final da apuração para as eleições da APUFPR-SSind, no início da madrugada do último dia 10, um assessor do Reitor Moreira liga para ele e diz ao celular: “Magnífico, perdemos”. Este fato é uma caricatura, que marca um processo político importante para a vida da nossa Universidade.

A vitória da Chapa APUFPR – AUTÔNOMA E DEMOCRÁTICA entre os professores ativos e aposentados tem um grande significado para a UFPR por várias razões.

No início da campanha eleitoral a chapa vitoriosa evitou qualquer acusação de que a chapa derrotada fora organizada e apoiada pela alta administração universitária (apelidada, então de “Chapa Branca”) por entender que faltavam provas materiais para dar credibilidade a acusação. A campanha eleitoral, ao menos para quem acompanhou mais de perto, se encarregou de esclarecer a questão, com o engajamento na mesma da administração. O Reitor se empenhou pessoalmente, inclusive no trabalho de “boca de urna” quando passou toda a manhã do dia da eleição no HC angariando apoios para a sua chapa.

A grande interrogação que fica é: porque todo esse empenho para vencer uma eleição de Sindicato?

Na nossa leitura, o Reitor e seu grupo político (que ultrapassa bastante os muros da UFPR) montou uma estratégia de sobrevivência logo após a sua reeleição, em vista do resultado apertado de apenas 2% dos votos. O objetivo era calar de vez a oposição à sua gestão, marcada pela volta do autoritarismo e da prevalência do “pensamento único”, assim como está sendo a prática política dos governos federal e estadual, aos quais se alinha.

O autoritarismo pode ser visto, por exemplo, no processo que o Sindicato abriu junto à Justiça Federal e obteve uma liminar contra o assédio moral na UFPR-Litoral, onde alguns professores estão sofrendo toda sorte de pressão e abusos por parte do diretor “de fato” daquela unidade, por questionarem, entre outros pontos, a falta de um projeto político pedagógico para os seus cursos, o não cumprimento da legislação e das resoluções da UFPR e a falta de regulamentação do próprio campus UFPR-Litoral. Não menos grave, é o fato de que estudantes de vários cursos estão prestes a colarem grau, e sequer os respectivos cursos tiveram ainda o currículo aprovado pelo CEPE. O caso UFPR-Litoral já se encontra, também, sob investigação da Procuradoria da República no Estado do Paraná.

A estratégia do “pensamento único” adotada pela Reitoria estava caminhando “de vento em popa”, com o apoio às chapas vencedoras para o Diretório Central dos Estudantes (DCE-UFPR), ao Sindicato dos Servidores Técnico-Administrativos (SINDITEST) e à Associação dos Servidores da UFPR (ASUFEPAR).

Nesse embalo, faltava ganhar o último reduto de resistência, a APUFPR-SSind. Essa entidade possui uma longa história de resistência desde os tempos da ditadura militar e foi a principal responsável pelo processo de redemocratização da UFPR. Ela possui em seus quadros valorosos professores, ativos e aposentados, que mantém viva essa história e que souberam, com grandeza, superar suas diferenças e manter este importante espaço de liberdade de expressão existente na universidade – o seu Sindicato. É uma pena que alguns professores que perfilaram conosco, no passado, a bela luta de resistência ao regime autoritário, hoje, pelo fato de ocuparem cargos administrativos, apagam a sua história.

O “Magnífico, perdemos” abre um novo ciclo de liberdade na UFPR e diz um basta por parte dos professores a práticas autoritárias, manipuladoras e do uso de recursos públicos para a construção de um projeto de universidade que atende a fins privados. A vitória possibilita também um espaço de reorganização e articulação dos grupos das demais categorias, estudantes e servidores técnico-administrativos que, junto aos seus princípios defendem o processo de democratização da universidade, pública, gratuita e de qualidade.
A derrota causa um enorme rombo no projeto do Reitor de ser candidato a prefeito de Curitiba pelo PMDB. Se ele não ganha a eleição para o seu Sindicato, na sua base eleitoral, como vai pleitear a candidatura a prefeito da capital? E manda um recado de que ele deveria estar se preocupando em administrar a UFPR, pois foi eleito para isso, e não se ocupando em tais aventuras externas.

Por fim, esta vitória realça a importância da existência de entidades sindicais que permaneçam autônomas em relação aos poderes constituídos dentro e fora da Universidade e que assim, possam se contrapor a projetos que atendem apenas a interesses de alguns, em detrimento da coletividade.
Isto é essencial para a garantia dos direitos de cidadania, que somente serão exercidos em uma Universidade que se mantenha pública, autônoma em relação aos governos, tenha espaços democráticos de deliberação, preze pela qualidade da educação e tenha suas ações referenciadas nos anseios da sociedade.

Claudio Tonegutti
Claudir José Daltoé
Elizabeth Garzuze da Silva Araújo
Flávio Massao Matsumoto
Francisco de Assis Marques
Joel Guardiano
Lafaiete dos Santos Neves
Maria Suely Soares
Milena Martinez

 

 

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