24/11/2006
DIAGNÓSTICO DA UNIVERSIDADE BRASILEIRA
Clóvis Pereira da Silva
Devemos refletir sobre o Sistema Nacional de Graduação - SNG para que possamos transmitir ao leitor a realidade do sistema brasileiro de ensino como um todo. Este texto faz parte de um conjunto de textos que publicamos em nosso Blog : http://clovisps.blog.uol.com.br sobre o tema: DIAGNÓSTICO DA UNIVERSIDADE BRASILEIRA .
A sociedade brasileira deve se conscientizar de que o financiamento da educação pública, gratuita e de boa qualidade é um dos melhores investimentos feitos pelas administrações federais. Portanto, a sociedade deve estar atenta para tal.
O financiamento das universidades públicas com aportes anuais substanciais do PIB ( um mínimo de 5%) contribuirá para a expansão da oferta de novas vagas em cursos de boa qualidade; contribuirá para a soberania do Brasil e para preservar a unidade cultural da nação. Um sistema educacional com a oferta de cursos gratuitos e de boa qualidade custa caro, mas é o melhorar investimento que uma nação poderá fazer.
.Sugerimos que as autoridades responsáveis pelas coisas da educação sigam o exemplo de diversos governantes da Coréia do Sul, quando a partir da década de 1960 passaram a implementar políticas públicas neste sentido. Como efeito das acertadas políticas públicas, em 2003 aquele país titulou 13,6 doutores, em todas as áreas do conhecimento, por grupo de 100 mil habitantes. Atualmente a Coréia do Sul não possui analfabetos. O Brasil atualmente persegue aquela meta como consta no IV PNPG 2005-2010 .
Sabe-se que a educação escolar de boa qualidade é o instrumento, por excelência, de ordem e desenvolvimento de um país. Conforme for a qualidade da educação escolar oferecida por um país a seus filhos, assim serão suas: ciência, tecnologia, inovação e democracia. A educação escolar de qualidade é o mais significativo instrumento de inclusão social de um país. A política do assistencialismo é algo emergencial. Até certo ponto é um processo danoso para o cidadão, pois este, via de regra, se acomoda a espera da assistência prometida pelo governo.
A educação pública gratuita de qualidade, com a gestão de pessoas qualificadas e competentes, por si só corrigirá as desigualdades sociais provenientes da posição social e da riqueza material. Se a educação escolar de qualidade propiciar ao brasileiro os conhecimentos técnicos, atitudes e hábitos mínimos para que ele seja um cidadão capaz de ver, sentir, julgar e decidir por si mesmo, então teremos uma democracia de fato. Isto é, o regime de todos para todos e não de apenas alguns para alguns.
Relembramos que, para que o país tenha um sistema educacional que propicie cursos de formação básica e cursos de graduação de boa qualidade, é necessário que as autoridades elaborem sérios projetos de políticas públicas para a área de ensino. Urge que seja criado um órgão, análogo à CAPES, para assumir as avaliações de cursos de graduação e avaliações de IES. O SNPG é exitoso porque possui como responsável a CAPES com seu sistema de avaliação que vem sendo aprimorado de 1976, utilizando-se de qualificado e competente quadro de avaliadores.
É necessário também que o órgão a ser criado para a avaliação de cursos de graduação seja dirigido por pessoas qualificadas e competentes e não por curiosos, políticos ou não. É necessário que o sistema educacional nacional possua bons, qualificados e felizes professores. Que estes sejam respeitados e recebam dignos salários para sua atualização, manutenção e manutenção de suas famílias.
Enquanto as administrações federais brincarem com o "faz - de - conta" com as coisas da educação nacional, teremos um sistema educacional de má qualidade. Com professores possuindo má formação técnica e as repassando para os jovens estudantes. Na continuação do atual estado de coisas da educação brasileira, não será difícil inferir o futuro do Brasil no contexto mundial. Sugerimos ao leitor ler os relatórios do PISA a respeito do desempenho de estudantes brasileiros do ensino básico.
Em resumo. Ou o Brasil constrói e gerencia um sério e competente Sistema Nacional de Ensino ou continuará ad infinitum sendo um país de 3º Mundo.
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Prof. Dr. Clóvis Pereira da Silva é docente aposentado pelo departamento de Matemática da UFPR.